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07/08/2014

O DIÁRIO DE MOGI- Base de Haddad cria “CPI da Água”

 

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, apoia CPI / Foto: Divulgação

 

 

A Câmara Municipal de São Paulo instaurou ontem (6) uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar a atuação da Sabesp na capital paulista. O requerimento aprovado é do vereador Laércio Benko (PHS), da base aliada do prefeito Fernando Haddad (PT). ”A Sabesp tem contrato com a prefeitura e tem obrigação de se explicar”, disse.

O sistema Cantareira, que abastece boa parte da Grande São Paulo, vive a maior crise de sua história. Medidas de economia, como a redução da pressão da água em até 75% à noite, coincidem com queixas de desabastecimento em vários bairros.

Benko afirma que as reclamações estarão entre as questões investigadas, assim como o gerenciamento dos recursos da estatal. “Como a Sabesp não teve dinheiro para investir na manutenção e tem para distribuir lucros na bolsa de Nova York?”, questionou.

A comissão terá duração de 120 dias e coincidirá com o período de campanha eleitoral, o que gerou indignação entre tucanos na Câmara. A Sabesp pertence ao Estado, administrado por Geraldo Alckmin (PSDB), que tenta a reeleição. Benko, autor do requerimento, também é candidato.

O vereador Floriano Pesaro (PSDB) afirmou que se trata de uma CPI “eleitoreira”.

“O PT e o PMDB combinaram de apoiar a CPI porque havia uma orientação das duas campanhas majoritárias, do Alexandre Padilha [PT] e do Paulo Skaf [PMDB], para tumultuar a campanha do Geraldo [Alckmin]“, disse.

Para Pesaro, a proposta não teria sido apoiada em outras ocasiões, mas os dois partidos decidiram que “era o momento certo”. “Benko é candidato ao governo. Se tivesse o mínimo de decência se sentiria prejudicado de fazer uma CPI contra outro candidato.” Benko negou a motivação política e disse que o assunto gera “desespero no PSDB”.

Líder do PMDB, Ricardo Nunes, afirmou que o partido é a favor da CPI desde o começo do ano e que não dá para esperar acabar a eleição para discutir o tema. “Há uma situação de calamidade pública.”

Para o petista Paulo Fiorilo, são os tucanos quem tentam politizar a questão para tirar o foco das investigações. “O PSDB parece ter uma dificuldade grande de enfrentar investigações. Na Assembleia Legislativa [onde Alckmin tem maioria], não deixa uma CPI investigar as denúncias de cartel nos trens.”

Dos 55 vereadores, 30 foram a favor da CPI e nove contra – outros não votaram. Entre os partidos favoráveis estão também o PSD de Gilberto Kassab e o PP de Paulo Maluf, que apoiam Skaf. Para criar a CPI, a base aliada aprovou um requerimento de preferência, para que ela fosse instaurada na frente de outras na fila. A Sabesp não quis se pronunciar sobre o assunto.