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25/06/2014

FOLHA.COM- Estamos sitiados, reclama líder da oposição.

Urgência de grupo não pode servir de pressão, diz presidente do PT; falta de quórum encerra discussão de projeto

DE SÃO PAULO

“Não vou ficar aqui preso por causa de um bando de petistas”, disse Gilberto Natalini (PV), quando o estacionamento da Câmara foi fechado nesta terça-feira (24) pela manifestação dos sem-teto.

No carro de som, um dos líderes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) dizia: “Vamos fechar o estacionamento para não deixar nenhum vereador sair antes de votar [o Plano Diretor]“.

“Estamos sitiados”, reclamava o líder da oposição, Floriano Pesaro (PSDB).

Ele acusou o relator do Plano Diretor, Nabil Bonduki (PT), de usar os sem-teto para pressionar os parlamentares.

Bonduki, por sua vez, negou relação com o grupo. Disse ainda ser contra estratégias que causem constrangimento aos vereadores, que devem ter “liberdade de votar conforme suas consciências”.

Os próprios petistas vêm demonstrando irritação com a pressão dos sem-teto.

O presidente da Câmara, José Américo (PT), costuma usar de ironia para se referir ao líder do MTST, Guilherme Boulos, chamando-o sempre de “doutor Boulos”.

O presidente municipal do PT, vereador Paulo Fiorilo, afirma que o MTST precisa respeitar o calendário da Casa. “O movimento tem a urgência deles, mas a urgência deles não pode se transformar numa pressão à Casa.”

No fim da noite, a pressão dos sem-teto foi diminuindo. Eles liberaram a saída da garagem e também a rua. Mas continuavam acampados em frente à Câmara.

A discussão do Plano Diretor novamente foi encerrada por falta de quórum.

O presidente da Casa, José Américo, disse que iria falar com o prefeito Fernando Haddad (PT) sobre o assunto.

CONSTRUTORAS

Além das áreas para moradia popular defendidas pelos sem-teto, uma das principais diretrizes do Plano Diretor é concentrar habitações próximas dos eixos de transporte.

Na semana passada, os sem-teto protestaram em frente à sede do Secovi (sindicato das construtoras), questionando a influência do setor sobre os vereadores.

No protesto desta terça-feira (24), eles focaram as críticas contra José Police Neto (PSD) –citando doações eleitorais de R$ 400 mil de empreiteiras ao vereador.

Após reunião à noite entre Boulos e alguns vereadores, incluindo Police Neto, o líder dos sem-teto amenizou o discurso contra o parlamentar do PSD. Mas não houve acordo sobre o Plano Diretor e o clima deve continuar tenso nesta quarta-feira (25).

Dos atuais 55 vereadores, pelo menos 35, incluindo Police Neto, declararam à Justiça Eleitoral terem recebido recursos do setor imobiliário para financiamento de campanha nas eleições de 2012.

A lista inclui vereadores de vários partidos, da oposição e da base do governo.

O Secovi informou que não comentaria as críticas dos sem-teto nesta terça (24).

Em nota divulgada na semana passada, o sindicato afirma que “tem exercido seu direito de participar de assembleias, audiências, debates e apresentação de propostas para aprimoramento deste instrumento, de forma transparente e pública”. (ARTUR RODRIGUES, LEANDRO MACHADO, ROGERIO PAGNAN E BEATRIZ IZUMINO)