Disseminadores do terrorismo
O lulo-petismo dá bem uma dimensão do que é capaz de fazer para se perpetuar no poder quando, sem constrangimentos, aterroriza as famílias carentes que se beneficiam do “Bolsa-Família”. O pior é que o faz através de um documento oficial do Ministério do Desenvolvimento Social, onde insinua, com sutileza de elefante, que a oposição poderá reduzir este programa ou retirar benefícios, caso eleja o sucessor do presidente Lula. Se a oito meses da eleição os lulo-petistas já fazem terrorismo eleitoral, imaginem o que farão quando a campanha começar para valer.
Até pelos antecedentes do atual governo, não tem a menor credibilidade a desculpa ministerial de que estamos diante de um lamentável engano, fruto do “descuido” de redação cometido pelo escriba do documento. Há uma absoluta sintonia entre a insinuação do Ministério de Desenvolvimento Social e o discurso da candidata Dilma, que recentemente, em um ato oficial transformado em palanque de sua campanha, mentiu ao dizer que a oposição pretende acabar com os programas sociais.
Nos dois casos, está claro o recado que Lula e seu partido querem dar aos milhões e milhões de famílias que participam do programa: “se vocês votarem na Dilma, o Bolsa-Família continuará, mas se votarem no candidato da oposição vão deixar de receber seu dinheiro.” O objetivo é este mesmo: semear o pânico entre as pessoas mais pobres e aterrorizá-las para que elas se submetam à chantagem e fiquem prisioneiras do voto de cabresto. É a mais absurda deformação de um programa que nasceu para minorar as mazelas sociais inerentes à miséria. Em vez de transformá-lo em uma ferramenta a serviço da cidadania, o governo quer utilizá-lo para perpetuar a servidão política.
Não é a primeira vez que o lulo-petismo se presta ao papel de disseminador do terrorismo eleitoral. Em 2006, quando Geraldo Alckmin foi para o segundo turno da eleição presidencial, os “bolsões de miséria” do Nordeste e do Norte do país foram inundados por panfletos, muitos deles apócrifos, que caluniavam o candidato do PSDB. Irresponsavelmente, espalharam que ele acabaria com o “Bolsa-Família”. Esta e outras mentiras, como a de que Alckmin privatizaria a Petrobras, foram repetidas à exaustão e influenciaram o voto de parcela dos eleitores, sobretudo dos mais dependentes da ação do Estado.
Felizmente, estamos hoje mais calejados do que em 2006 e não nos intimidaremos diante da tática do “terrorismo eleitoral.” Com toda a clareza, vamos mostrar, durante a campanha, que o DNA dos tucanos está presente em muitos programas sociais em curso. O próprio Bolsa-Família é produto da fusão de cinco programas criados pelo PSDB, quando estava na Presidência. Um deles, o Bolsa-Escola, foi criado quando fui ministro da Educação e no seu primeiro ano existência beneficiou a cinco milhões de famílias carentes.
Não desconhecemos os méritos de ninguém, nem mesmo do presidente Lula, mas não aceitamos que ele assuma o papel de inventor da roda. Também não escondemos nossa indignação com quem abandonou a esperança que tanto apregoou no passado e hoje vende o pânico aos brasileiros mais pobres para se perpetuar no poder. A transmutação do PT deu nisso: saiu do campo o “Sem Medo de Ser Feliz” e em seu lugar entrou o terror eleitoral.
É como disse a nota oficial do nosso presidente, senador Sérgio Guerra: “Nós não vamos acabar com coisa nenhuma, nós vamos fazer obras decentes, não vamos aprovar obras indecentes, vamos manter e ampliar o Bolsa Família porque achamos que é certo. Fomos nós que o criamos. A nossa impressão digital está lá, começou no governo Fernando Henrique. Tudo isso é uma grande fraude, é apenas o prenúncio do que será essa campanha: mentira e terrorismo.”
Paulo Renato Souza – ex-ministro da Educação, deputado federal, é secretário de Educação do Estado de São Paulo.
Blog do Paulo Renato 05/02/2010

Floriano Pesaro
São Paulo, SP, Brasil
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