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07/08/2014

PORTAL TERRA- Câmara de SP aprova CPI para investigar Sabesp e falta d’água no município

Sistema Cantareira, administrado pela Sabesp, sofre com a falta de chuvas e esvaziamento desde o ano passado (Foto: Reuters)
POR RODRIGO RODRIGUES
Em meio a maior crise hídrica do Estado de São Paulo em 80 anos, a Câmara Municipal da capital paulista aprovou nesta quarta-feira (07) a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos de fornecimento e distribuição de água pela Sabesp no município.
Com apoio do PT e do PMDB, a criação da CPI teve 30 votos favoráveis e 16 contrários entre os 55 vereadores da casa que estavam presentes no plenário da Câmara.
A comissão será liderada pelo vereador Laércio Benko (PHS), que foi o autor do requerimento de CPI e também é candidato ao governo de São Paulo.
No acordo, o PMDB deve ficar com a relatoria da comissão de inquérito e as outras sete vagas devem ser ocupadas por integrantes do PSDB, PT, PSD, PV, PTB, PMDB, Pros, PR e DEM, que poderão indicar cada sigla um nome para compor as investigações.
“Não dá mais para a população ficar sofrendo e ouvindo apenas desculpas esfarrapadas para justificar o colapso no abastecimento de água. A CPI é legitima, pois vai investigar um problema que afeta a população da cidade. A Sabesp é uma empresa contratada da Prefeitura. Da mesma forma que investigaríamos uma empresa que fornece merenda e comete irregularidades”, declarou em plenário o vereador Laércio Benko.
Contrários à criação da CPI, os vereadores do PSDB e do DEM – partidos que fazem base de sustentação para o governador Geraldo Alckmin na Assembleia Legislativa de SP – dizem que a comissão para investigar a Sabesp tem cunho meramente eleitoral:
“É lamentável que a casa se preste a esse tipo de desserviço em ano de eleição. Eu presenciei no colégio de líderes a articulação do PT de Alexandre Padilha e do PMDB de Paulo Skaf para criar essa investigação sem pé nem cabeça. É uma CPI de caráter político, para desgastar o governador Geraldo Alckmin. É uma CPI que não tem capacidade nenhuma de investigar e vai cair em descrédito, porque tem cunho meramente eleitoral e vai durar o tempo da eleição”, argumenta o vereador Floriano Pesaro, líder do PSDB na Câmara.
Filho do ex-governador Mário Covas, o vereador Mário Covas Neto usou o Twitter para ironizar a criação da comissão contra a Sabesp:
“Numa manobra na Câmara, base aliada do prefeito aprova CPI da Sabesp. Sugiro que o primeiro convocado seja São Pedro”, declarou o parlamentar no Twitter.

Da esquerda para a direita, os vereadores Floriano Pesaro (PSDB), Laércio Benko (PHS) e Mário Covas Neto (PSDB): CPI da Sabesp tem 7 dias para entrar em funcionamento em SP (Fotos: Divulgação)

Laércio Benko (PHS) rebate os tucanos e diz que eles estão mal informados sobre os trâmites da casa:
“Para os tucanos é fácil falar que é político porque eles vivem nos Jardins e no Jardim Europa, bairros de ricos. Vou levá-los até o Parque Edu Chaves ou o Itaim Paulista que está sofrendo todos os dias com a falta d’água. Vou pedir para eles dizerem para as famílias que não têm água nem pra dar banho nos filhos para ver o que elas falam sobre o assunto. Essa CPI foi proposta em 2013 e não foi aprovada. Na primeira reunião de líderes depois do recesso eu propus a instauração e finalmente fui ouvido. O requerimento é o mesmo. Com exceção do PSDB, todos os vereadores dos outros partidos aprovaram porque São Paulo está um caos em relação à falta de água”, rebate o parlamentar.
Para o líder Floriano Pesaro, a CPI deixa a Sabesp e seus acionistas em condição de fragilidade, podendo trazer sérias conseqüências para a companhia:
“Essa CPI política e eleitoral não afeta só a Sabesp e o governador Geraldo Alckmin. Existem milhares de acionistas que investiram dinheiro na empresa e ficarão sujeitos à factóides especulativos que podem prejudicar as ações da companhia, que é uma das mais sólidas do Brasil, com papéis negociados inclusive na Bolsa de Nova Iorque. É lamentável o que o PMDB e o PT estão fazendo em nome de uma eleição”, declara o vereador.
O PSDB em São Paulo espera sinalização do Diretório Estadual do partido para saber ser tomará medidas judiciais para pelo menos impedir que o candidato Laércio Benko presida os trabalhos da CPI.
Os partidos terão sete dias a partir de hoje para indicarem os componentes da comissão e na semana que vem os trabalhos devem começar na Câmara Municipal. De acordo com o requerimento aprovado, a CPI terá prazo de 120 dias para apurar qualquer irregularidade nos contratos da Sabesp.