Discursos

25/07/2013

16/10/2012 – Em defesa do Cine Belas Artes: Primeira Vitória

O SR. FLORIANO PESARO (PSDB) – Boa tarde, nobre Presidente Claudinho de Souza, orgulho de nossa bancada tucana nesta Casa, nosso Vice-Presidente, que teve uma votação espetacular em sua base eleitoral, a gloriosa região de Freguesia do Ó, Brasilândia e adjacências. Tenho muito orgulho de compartilhar a liderança com V.Exa.

Caros Srs. Vereadores e telespectadores da TV Câmara São Paulo, assomo a tribuna para um comunicado bastante prazeroso, feliz. Penso que todos já sabem que sou, nesta Casa, relator da CPI do Cine Belas Artes, proposta pelo ilustre Vereador Eliseu Gabriel, a qual foi criada após abaixo-assinado de 50 mil assinaturas para tentar tombar o prédio onde funcionou o cinema, na Rua da Consolação – fechado em março de 2011.
Sou portador, nesta tarde, de uma notícia bastante positiva para todos nós que estamos na luta para manter esse espaço de arte e cultura de nossa cidade. A fachada do antigo cinema da Rua da Consolação foi tombada na segunda-feira, 15 de outubro, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – Condephaat.
A decisão, no entanto, não obriga a que o local seja reaberto como cinema nem faz qualquer restrição nesse sentido. A deliberação do Conselho também tombou uma faixa interna de 4 metros a partir da fachada, com o objetivo de preservar a estrutura envidraçada, característica daquele prédio.
O Conselho também deliberou que se “contemplem elementos na calçada e fachada que remontem à memória do cinema, a fim de garantir o registro permanente da memória aderente desse lugar”.
A minuta de tombamento detalhará como isso será feito. Claro que, como bem lembrou André Sturm, preferiríamos que fosse feito o tombamento do uso do prédio, como trimônio cultural e matérial. Mas isso não diminui a importância histórica de um prédio ser tombado por seu valor cultural e não arquitetônico. Essa é a nossa luta na CPI dos Belas Artes.
Não perdemos a esperança e nem os meios de lutar, por isso vamos continuar. O Movimento pelo Cine Belas Artes, que já tem mais de 90 mil apoiadores na rede social Facebook, ainda pretende que o local volte a ser cinema. Juntos, continuamos nos mobilizando. Ontem mesmo o tema foi novamente discutido na Assembleia Legislativa.
O Cine Belas Artes tornou-se sinônimo de cultura em São Paulo. Com suas várias salas e a escolha conscienciosa de programação cultural, o Belas Artes tornou-se agente e protagonista capital do calendário cultural do Município. Foram anos e anos oferecendo opção de nível intelectual incomparável. Ajudando, inclusive, nossa cidade a se tornar uma Cinecittà.
Estamos firmes e buscando uma saída para não deixar um centro de cultura frequentado por cerca de 1.800 pessoas todos os finais de semana, se transformar em mais um shopping center da cidade acabando com o patrimônio cultural. É por isso que estamos tão firmes na relatoria dessa CPI.
Há cerca de um ano, todos nós, cidadãos paulistanos, assistimos estupefatos nossa cidade perder um dos seus grandes centros de irradiação cultural: o Cine Belas Artes que foi fundado em 1967 onde, desde 1952, funcionava o Cine Trianon.
Aqui na Câmara agimos e instauramos a Comissão Parlamentar de Inquérito para discutir junto com a sociedade paulistana um meio para equacionar essa questão. Tentando buscar caminhos para o tombamento do espaço.
Essa é uma vitória nossa. Não uma vitória individual deste Vereador ou de outros que aturam nessa área, mas coletiva desta Câmara Municipal de São Paulo. Nesta Câmara Municipal de São Paulo todos seus 55 Vereadores aprovaram a criação da CPI do Belas Artes. Por essa razão, nesta tarde, quero dividir com todos meus colegas essa boa notícia que é o tombamento da fachada do Belas Artes. Sem dúvida alguma, na minha opinião, o primeiro grande passo que demos para voltamos a ter o Cine Belas instalado naquela região cultural de São Paulo.
Quando as negociações para a permanência no prédio da Rua da Consolação acabaram sem o retorno positivo que tanto ansiávamos, muitos paulistanos acreditaram ser o final triste de um filme longo e, até então, muito rico.
Outros, no entanto, formaram o Movimento pelo Cine Belas Artes, continuam lutando para preservar e reabrir o cinema
No meu entender, não podemos deixar esse filme, essa história, acabar assim. Estamos falando de mais espaços culturais para nossa cidade, sim. Mas não somente. É importante lembramos que o mercado de arte na capital paulista movimenta 40 bilhões de reais todos os anos. São Paulo é o reduto cultural de toda a América Latina!
O Manifesto pelo Cine Belas Artes já reuniu mais de 90 mil assinaturas contra o fechamento do Belas Artes. Assinaram o manifesto o Presidente Fernando Henrique, o Presidente desta Casa, Vereador Police Neto, e eu mesmo.
A decisão do Condephaat foi o primeiro passo para que vençamos essa batalha. Para que a cidade consiga manter os quase inexistentes cinemas de rua.
Aqui, na Câmara Municipal de São Paulo, devemos nos articular e avançar nas tratativas e questões que estão sendo discutidas nesta CPI para que o Cine Belas Artes seja de uma vez por todas declarado espaço de utilidade pública.
A possibilidade de manter salas de cinema com programação eclética e intelectiva é obrigação de nossa cidade. Temos de preservar a história e a cultura municipais.
E, mais uma vez, reitero: como Vereador desta cidade, amante da sétima arte e frequentador assíduo de salas desse cinema, continuo atuando para que o Cine Belas Artes volte a brilhar em nossa cidade. Muito obrigado.