Discursos

25/07/2013

21/11/2012 – Dia da Consciência Negra

Boa noite a todos.

Dia 20 de novembro de 1695. Quem sabe o que aconteceu nesta data? A morte de um grande líder brasileiro: Zumbi dos Palmares. Por este motivo é que o dia de ontem foi escolhido como o Dia da Consciência Negra.

O dia é simbólico. Cada um de nós aqui presente sabe que não é um dia que resolverá séculos de políticas excludentes e oportunidades restritas que assolaram a população negra.

Entretanto uma data que estimule a reflexão e que provoque de forma positiva o debate é, sim, fundamental para que, além de lembrar a nossa história, tenhamos também um marco catalisador para as transformações que tanto almejamos.
Esta Sessão Solene, mais do que homenagear os aqui presentes, é antes uma forma de mostrar à sociedade o que temos de melhor e que podemos mudar JUNTOS se passarmos a olhar o ser humano de forma global e integral.
Pois assim não são os direitos? Valem para todos indistintamente.
Em minha trajetória política sempre busquei a promoção da IGUALDADE de direitos e oportunidades.
E esta luta não é de hoje. Desde a aprovação de nossa Constituição Cidadã, em 1988, temos avançado no assunto.
Ali reconhecemos a exclusão do povo negro e percebemos que para reverter séculos de discriminação e preconceito deveríamos começar a agir já.
Foi aprovado já no artigo primeiro o princípio da dignidade da pessoa humana.
No artigo terceiro a redução das desigualdades, a promoção do bem de todos, a recusa de qualquer forma de preconceito ou discriminação. No artigo quarto vemos a prevalência dos direitos humanos e no artigo quinto a defesa da igualdade.
Ora, já temos o aparato jurídico. A promoção das políticas públicas de inclusão e as ações afirmativas estão, pois, muito bem embasadas.
Mas sabemos que apenas Leis não são capazes de transformar a realidade

Por isso os homenageado desta noite são as pessoas que fazem o que está previsto em nossa constituição acontecer. São aqueles que se destacam e conseguem, por meio de suas ações, ideias e articulações transformar a vida de pessoas a sua volta e, por consequência, tornam a nossa cidade um lugar melhor para TODOS nós vivermos.

Enquanto falo, imagino que passa um filme na cabeça de cada um de vocês. Relembrando os momentos de dificuldades, cada barreira que teve que superar para conseguir melhorar a vida de uma pessoa sequer, de melhorar a própria vida.

Sei que, infelizmente, ainda há muitos incapazes de compreender que as políticas de promoção da igualdade de direitos e oportunidades para a população negra serão capazes de impulsionar toda a sociedade. A eles o nosso trabalho.

Vamos sair dos lugares comuns e dos estereótipos. Cada um de nós aqui sabe que a participação dos negros na sociedade não foi somente de serventia, sob o chicote, mas também ajudaram a construir as riquezas do país. Os negros lutaram e ainda lutam por direitos e oportunidades iguais.

Longe das divagações vazias de sentido e objetividade que buscam desqualificar o Dia da Consciência Negra, temos a convicção de que nada mais justo do que escolhermos uma data para que possamos não apenas lembrar, mas provocar transformações por meios dessas lembranças.

O Estatuto da Igualdade Racial, o Dia da Consciência Negra, o PL 497/09, que dispõe sobre a vedação, no âmbito do Município de São Paulo, de práticas discriminatórias em estabelecimentos comerciais, industriais e serviços similares, de minha autoria que tramita nesta casa. Todas essas ações, que lembro estão embasadas por nossa constituição, são os meios pelos quais nossa sociedade enfrentará e acabará com o racismo e a discriminação. Se mobilizando, agindo de forma integrada, conscientizando e,a cima de tudo, transformando e incluindo.

Costumo dizer que a liberdade só existe na conjugação do querer fazer com a possibilidade de agir. E é nesse hiato que sociedade e poder público devem trabalhar.

O ideal em comum nos une e a vontade de mudar, de agir com transparência e efetividade, nos faz caminhar juntos em direção a um objetivo em comum: uma sociedade capaz de transformar ideias em ações práticas que nos aproximem de um mundo livre de discriminações, onde cada um de nós possa alcançar seu potencial máximo.

Por isso, hoje, esta homenagem não é apenas para os que estão aqui presentes. Esta homenagem é para cada um que ousa acreditar, que ousa dar um passo adiante e a transformar, a melhorar.

A todos vocês peço: continuem sonhando. Continuem sendo idealistas. Acreditem – como eu acredito – que podemos viver em uma sociedade melhor e mais justa. Vocês são a prova viva de que a transformação está acontecendo.

Sonhem e lutem por um mundo melhor. Não se deixem contaminar pelo cinismo e pelo pessimismo dos que se negam a acreditar e a realizar.

Nós – Juntos – podemos tornar esta cidade, este país, este mundo, um lugar melhor para TODOS Nós.

No final, é como diz o líder Martin Luther King: “O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente”.

Muito obrigado.