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30/10/2009

Especialistas debatem reciclagem em CHAT promovido por Floriano

Reciclagem, lixo eletrônico, coleta seletiva, educação ambiental. Estes foram alguns dos temas debatidos pelos internautas no CHAT temático promovido pelo vereador Floriano Pesaro em seu site, ontem (29/10). Além de Floriano, participaram como debatedores Felipe Andueza (analista ambiental e integrante do projeto do Coletivo Lixo Eletrônico); Marcos Moreira (coordenador de Meio Ambiente da Reciclázaro); e Joceli Adair da Silva (coordenador do GT de políticas para catadores de materiais avulsos da Prefeitura de São Paulo).

Leia os principais assuntos abordados.

Joceli Adair da Silva: Questões gritantes como o lixo e sua destinação envolvem prazos mais curtos para solucionarmos.

Marcos Moreira: As leis sobre reciclagem vêm reduzir o impacto de nosso modelo “aculturado e estadunisado” de consumo.

Felipe Andueza: Obrigar a reciclagem somente não resolve o problema. É preciso uma solução integrada entre a obrigação da indústria, o apoio do estado e a participação da população.

Floriano Pesaro: Solução integrada que considere toda a cadeia produtiva. O futuro depende de ações no presente. O Brasil produz cerca de 100 mil toneladas de lixo por dia, mas recicla menos de 5% do lixo urbano – valor muito baixo se comparado à quantidade de material reciclado nos EUA e na Europa, que chega a 40%. Não dá para não ter essa preocupação nesta cidade. É preciso políticas públicas, legislação adequada e um melhor entendimento do que é lixo.

Marcos Moreira: Passamos pela transição da colonização européia do século XVIII para a sociedade do consumo do século XX. Entretanto, as cidades não estavam preparadas para isso. E a coleta seletiva hoje só avança como estratégia de milhares de pessoas que dependem disso para sobreviver. O Brasil é campeão mundial de reciclagem de alumínio como reflexo da pobreza do seu povo, não por consciência ambiental.

Rosana Ferraz Chaves: Faço parte de um grupo de arquitetos ambientalistas que criou um processo que transforma recicláveis em elementos construtivos, mas a Prefeitura de São Paulo não demonstrou nenhum interesse pelo projeto.

Joceli Adair da Silva: Quando pensamos nestas quantidades enormes é sempre difícil não se ligar à questão da educação da população para este problema. A população pode vir a ser um grande e vital aliado.

Marcos Moreira: Admiro muito o trabalho do Joceli no poder Executivo e a contribuição do Floriano no Legislativo, que, somado à força das cooperativas de São Paulo, podem mudar esse cenário de baixa coleta seletiva em pouco tempo.

Joceli Adair da Silva: Só quem está dentro sabe como é hercúleo desafiar os velhos modelos. Sabemos também que existem as soluções. As cooperativas são um bom caminho.

Floriano Pesaro: Vocês sabiam que, em média, cada paulistano produz diariamente 1,2 kg de lixo?

Felipe Andueza: O que se esquece facilmente é que lixo vale muito! O planeta é finito, resíduos podem ser reaproveitados de diversas maneiras: de matérias-primas que voltam à cadeia produtiva à geração de energia. Jogar lixo fora é sempre um desperdício, ainda mais resíduos eletrônicos que literalmente têm ouro e metais.

Pamela Salazar Mora: O entendimento da sociedade em relação à geração de resíduos sólidos e sua destinação é muito recente. Afinal, resíduo sempre foi tratado como lixo.

Marcos Moreira: Felipe, você tem muito a contribuir com as cooperativas, pois o lixo eletrônico é comercializado como sucata, todo misturado e sem destino certo.

Manuel Costa: A crise financeira no segundo semestre de 2008 ocasionou a queda dos preços dos recicláveis. Alguns ficaram tão baratos que praticamente deixaram de ser recolhidos pelos catadores. A falta desse serviço acabou acarretando o aumento do lixo nas ruas. Faltou ação das autoridades?

Marcos Moreira: Manuel, apenas os catadores desarticulados deixaram de coletar alguns tipos de material. As cooperativas continuaram com o árduo trabalho pela cidade. Veja o caso da Cooperativa Avemare que acumulou em 3 anos um capital de giro de R$ 83.000,00. Esse dinheiro foi utilizado como subsídio aos cooperados diante da crise mercado.

Gustavo Nozella: De fato, vejo as cooperativas como única solução no momento.

Rosana Ferraz Chaves: Não creio que as cooperativas sejam a única solução. A solução é integrar sociedade, poder público e novas tecnologias.

Gustavo Nozella: Rosane, eu disse que as cooperativas são no momento aquilo que funciona, já que faltam ações neste sentido do poder público.

Joceli Adair da Silva: A solução é a gestão integrada – cooperativas, iniciativa privada. Um bom exemplo é o projeto de estações de reciclagem do Pão de Açúcar.

Felipe Andueza: O lixo eletrônico é valioso o suficiente para melhorar as péssimas condições de trabalho dos catadores. Incluir as cooperativas no ciclo reverso é fundamental e precisa do apoio de políticas públicas para isso. Rosana, você tem razão. Se uma parte não colaborar, os resíduos serão um problema cada vez mais grave.

Dilze Lima: Falando em lixo eletrônico, qual é o principal problema na cidade?

Ricardo Meireles: Já há empresas especializadas na coleta deste tipo de lixo. Ainda há dificuldade na coleta do lixo comum, de forma seletiva.

Rosana Ferraz Chaves: Acho que um dos maiores problemas de SP em relação ao lixo é, primeiro, a falta de diálogo sobre o assunto; segundo, onde abrigar o lixo coletado; e terceiro, onde abrigar o lixo que não é coletado, que é o que causa enchentes.

Marcos Moreira: Mas temos de tomar muito cuidado com alguns reducionismos. Afinal, ampliar a coleta seletiva não é "a" solução. Na outra ponta, a produção deve ser regulada e o consumidor tem de ser consciente em suas escolhas.

Felipe Andueza: Os resíduos eletrônicos são produzidos tanto por pessoas como por corporações. Em uma cidade como São Paulo, o consumo e posterior descarte de produtos tecnológicos é imenso. Como possuem componentes tóxicos, esses resíduos não podem parar nos aterros municipais junto com o lixo doméstico. Primeiramente, se contamina as águas, depois os solos, juntamente com plantações e animais. Se não revertemos essa situação, dentro de poucos anos nossos alimentos estarão impregnados de metais pesados provenientes dos resíduos eletrônicos.

Pamela Salazar: Fala-se muito sobre a coleta, mas não vi até agora ninguém citando a redução da geração de resíduos!

Marcos Moreira: Ainda acho que a peça fundamental é o consumidor consciente, pois todos somos, no final das contas, consumidores. Sejamos empresários, professores, habitantes, políticos conscientes. As políticas públicas e as ações são reflexos direto do modo como pensamos e nos relacionamos com o mundo.

Floriano Pesaro: Concordo que também precisamos mudar nosso padrão de consumo, mas, enquanto isso, temos que cuidar do lixo já produzido. São considerados lixos tecnológicos: componentes de computares e seus periféricos; televisores e monitores; baterias, pilhas ou qualquer aparelho eletro-eletrônico que acumule energia; produtos magnéticos; lâmpadas fluorescentes; frascos de aerossóis em geral; aparelhos de celular.

Joceli Adair da Silva: Para iniciar a redução é primordial a educação, e esta deve ser feita nas escolas.

Gustavo Nozella: Existem empresas especializadas em reciclagem de lixo eletrônico. Comecei a pensar seriamente no assunto e a pensar no que fazer com o computador velho, com o rádio que não funciona mais e assim vai.

Felipe Andueza: Gustavo, nas atuais empresas de reciclagem paga-se para reciclar um eletrônico. Mas o lixo eletrônico não é só perigoso, ele é valioso. Há possibilidades de reutilização, capacitação profissional, reciclagem e outras tantas que são alternativas muito melhores que o descarte no lixo doméstico.

Floriano Pesaro: Boa parte dos compostos minerais eletrônicos apresenta alto valor de mercado. Por isso é importante a sua reciclagem e retorno enquanto matéria-prima ao mercado. É benéfico ao meio ambiente.

Rosana Kutnikas: Acredito que o problema dos resíduos sólidos na cidade de São Paulo poderia sim beneficiar os catadores, gerando renda e dignidade a esta categoria, porém o que devemos nos conscientizar é dos 3 ou 5 Rs que seria a nossa REDUÇAO no consumo e a nossa REUTILIZAÇÃO dos bens de consumo e consequentemente a RECICLAGEM.

Joceli Adair da Silva: As cooperativas e também os núcleos de catadores existentes no município já trabalham com resíduos tecnológicos

Ricardo Meireles: Acho que a coleta seletiva, assim como muitos outros serviços, deve ser terceirizada. Há empresas especializadas. Por que o governo tem que assumir isso? Parcerias são a solução.

Rosana Cardoso: A reciclagem além de fazer bem ao meio ambiente ajuda a diminuir o desemprego. Os catadores são ótimos empreendedores

Felipe Andueza: Não só ao meio-ambiente, mas à economia do país.

Joceli Adair da Silva: O que devemos incentivar é a capacitação técnicas das cooperativas para trabalhar com o melhor aproveitamento destes resíduos

Marcos Moreira: Concordo Joceli, mas existem muitos "nichos" de mercado. Por exemplo, a ONG Reciclázaro tem 100 pessoas trabalhando como reutilização de materiais recicláveis.

Marcos Moreira: Acredito muito na abertura e diversificação das cooperativas

Felipe Andueza: Joceli, e também responsabilizar a indústria, segundo a lei de crimes ambientais, o fabricante de produto tóxico ou poluente é responsável por todo o seu ciclo de vida. A indústria precisa se responsabilizar por esse ciclo.

Floriano Pesaro: O Brasil reciclou 91,5% das latas de alumínio produzidas para embalagens de bebidas em 2008, um total de 165 mil toneladas de sucata. O índice é menor que o de 2007, quando o país reciclou 96,5% das latas comercializadas no mercado interno.Em 2008, o Brasil manteve a liderança mundial de reciclagem de latas de alumínio. A Argentina, segunda colocada, reciclou 90,4% da produção, e o Japão, 87,3%. Nos EUA, este índice foi de 54,2%, mas o volume da produção é de 98 bilhões de latas por ano, sete vezes maior que a brasileira.

Joceli Adair da Silva: A indústria hoje já começa a atuar com responsabilidade junto à geração de resíduos, principalmente aquelas que produzem as embalagens.

Marcos Moreira: Felipe, acompanhei o processo da legislação sobre pilhas e baterias no CONAMA. O que presenciei não foi nada agradável. Uma grande fabricante de pilhas encontrou uma brecha na lei para fugir da "logística reversa".

Felipe Andueza: Floriano, estimativas não-oficiais indicam que menos de 1% dos resíduos eletrônicos produzidos no Brasil são reciclados. Por sua magnitude, São Paulo deve ser o primeiro produtor de lixo eletrônico do país, uma política pública eficiente aplicada ao nosso município influenciará todo o país.

Floriano Pesaro: Pelos estudos que tenho, de tudo que é jogado diariamente no lixo, pelo menos 35% poderia ser reciclado ou reutilizado, e outros 35%, serem transformados em adubo orgânico.

Roberto Sampaio: Felipe, você acha que a gente evoluiu um pouco com a relação a responsabilidade das indústrias? Eu não sou especialista no assunto, mas acho que ainda falta muito.

Marcos Moreira: Mas Felipe, sabe o que aconteceu com a legislação dos pneus e lâmpadas fluorescentes? As indústrias não tinham para onde mandar.

Ricardo Meireles: O Brasil tem sido exemplo em vários sentidos, na gestão de resíduos residenciais e industriais. Uma das indústrias de cimento do País é considerada a melhor fábrica do mundo por realizar o co-processamento de um grande volume de resíduos industriais em seus fornos. São 10 fábricas que fazem isso, desta empresa. O Estado de Sergipe não permitia que a fábrica de lá eliminasse pneus nos fornos de cimento, mesmo com a informação comprovada que a queima gera menos CO2 que a fabricação normal de cimento, com queima de combustível.

Marcos Moreira: As cooperativas não estão preparadas para esse tipo de material. O lixo eletrônico vai parar, infelizmente, na mão do sucateiro ou do ferro velho.

Ricardo Meireles: Então, vemos aí um grande problema de legislação, tanto para indústria quanto para os resíduos domésticos. Essa questão do descarte de celulares e baterias foi um grande passo. Só com legislação, é possível expandir isso.

Felipe Andueza: Marcos, para isso se investe, trabalha, pesquisa e inova. É preciso criar mercado. Não existir a melhor solução agora não é motivo para não seguir em frente, é motivo para abrir espaços. Não há negociação com o meio-ambiente: ou você evita a poluição ou você condena toda a sociedade a viver contaminada… Imagina a produção agrícola brasileira contaminada por tóxicos de eletrônicos?

Joceli Adair da Silva: Vejo todo dia que, se existem pessoas "preparadas" para trabalhar estes resíduos, são, sem dúvida, os catadores. Não somente as cooperativas, mas todo este exército de catadores avulsos que transitam pela cidade. Mais uma vez, o importante e necessário é planejar em conjunto com eles como deve ser feito.

Felipe Andueza: Marcos, se vai parar na mão do sucateiro, é hora de pensar em melhorar a situação do sucateiro. São trabalhadores com vasto conhecimento do tema, é preciso integrar, não simplesmente proibir.

Marcos Moreira: Felipe, é o mesmo caso do ferro velho que compra latinha da mão de criança. De um lado tem a cooperativa e do outro a legislação, mas não existe o mediador no mercado e, quando existe, como o sindicato dos sucateiros, eles jamais conversam com as cooperativas.

Floriano Pesaro: Voltando para a questão do lixo tecnológico, a lei estadual trouxe avanços. Com a sanção da lei estadual que institui normas para reciclagem e destinação final do lixo eletrônico em São Paulo, as lojas de celulares passaram a ser obrigadas a receber aparelhos usados. Essas iniciativas têm que ser muito ampliadas para que toda a sociedade sinta-se parte ativa no controle ambiental.

Dilze Lima: Felipe, fale da reintrodução do tema dos eletrônicos no projeto de lei federal. O blog do Lixo Eletrônico fez uma campanha para que todos assinassem um manifesto para isso. Pode-se dizer que a campanha foi vitoriosa?

Felipe Andueza: Acho que o manifesto influenciou sim, mas o fato é que os deputados reinseriram os eletrônicos, apesar do conselho em contrário da indústria, por que perceberam a problemática que envolve os resíduos tecnológicos.

Joceli Adair da Silva: A Prefeitura objetiva instalar 1000 PEV monitorados na cidade. Já existem em funcionamento no Clube Escola Pelezão, Parque Ibirapuera e na Freguesia do Ó.

Rosana Ferraz Chaves: O que é esse PEV?

Pamela Salazar Mora: Ponto de Entrega Voluntária de Entulho (PEV)

Marcos Moreira: O PEV é apenas para recicláveis. Os próximos PEV-M deveriam ter uma "boca adicional" para lixo eletrônico.

Floriano Pesaro: Apresentei um projeto sobre a Coleta de Lixo, determinando que as concessionárias e permissionárias desse serviço na cidade informem aos usuários os horários de coleta e transporte dos resíduos sólidos. Ao saberem previamente o horário do recolhimento, os cidadãos têm condições de preparar seu lixo de acordo com o planejamento da empresa concessionária. É necessário ainda que a população se conscientize do seu importante papel com o Estado, depositando seu lixo em lugar apropriado e respeitando as leis ambientais. Uma das maiores causas das enchentes é o lixo jogado nas ruas que entope os bueiros

Felipe Andueza: Pergunta para todos: como vocês bolariam a melhor forma de coleta seletiva de lixo em São Paulo?

Floriano Pesaro: SP está preocupada em melhorar o cuidado com o meio ambiente, prova disto é que este ano aprovamos a Lei de Mudança Climática. A participação da Câmara Municipal foi fundamental.

Marcos Moreira: Concordo Floriano! Não podemos chegar ao extremo da Alemanha, por exemplo, onde em boa parte das cidades a coleta seletiva é imposta através de taxas e multas ao cidadão. Não acho que o Estado deva onerar o cidadão, jamais.

Rosana Ferraz Chaves: Segundo um estudo realizado pela FioCruz-RJ, o foco é realizar uma campanha para coletar o lixo que não é coletado, nos lugares onde o caminhão de lixo não tem acesso.

Pamela Salazar Mora: Floriano, a população ainda precisa perceber melhor sua responsabilidade com o resíduo que gera. Ainda é muito comum ver pessoas jogando bituca de cigarro, latas, papel, sacos inteiros no chão.

Claudio Vieira: Cadê a fiscalização da prefeitura para cobrar da população para que não jogue lixo nas ruas.

Marcos Moreira: Claudio, a educação é a melhor forma. Seria como multar o cidadão que atravessa fora da faixa, é impossível.

Felipe Andueza: No Japão jogar lixo de forma incorreta é crime. Imagine só

Rosana Ferraz Chaves: Não adianta culpar a fiscalização pela falta de educação das pessoas.

Marcos Moreira: Eu acho interessante por um lado. Afinal, quando pegou no bolso os habitantes adequaram seus hábitos, mas será que esse é o caminho?

Joceli Adair da Silva: Não é só a fiscalização que vai resolver. A educação direcionada à redução de resíduos é fundamental. Cheguei a propor em 2007 a criação de centro interdisciplinar de educação ambiental em todas as escolas municipais.

Claudio Vieira: O problema é que o cidadão é mal educado e só respeita as leis quando mexemos em seus bolsos, infelizmente!

Marcos Moreira: Não acredito muito nisso. Se fosse assim, com a extinta "taxa do lixo" a coleta seletiva ia aumentar muito em São Paulo e não foi isso que aconteceu. Conversei com jovens em Sttutgart que diziam: "eu jogo o material certo no dia certo, senão eu tenho que pagar uma multa". Mas ele nem sequer tem noção de impacto ambiental ou para onde isso tudo vai.

Felipe Andueza: Esse é um caminho fácil numa sociedade rica como a do Japão. Não creio que multas sejam uma boa solução no Brasil.

Ricardo Meirele: Coleta não tem que ser remunerada. Até a indústria paga para eliminar o resíduo que gera. Resíduo é responsabilidade de quem gera.

Joceli Adair da Silva: Ricardo, a indústria tem que proporcionar meios para mitigar a geração de resíduos pós-consumo. Internamente, elas já reduziram desperdícios entendendo que este é prejuízo.

Felipe Andueza: Mas que a população em geral precisa saber que jogar lixo custa e muito e quanto mais você reduz, reutiliza e recicla, MENOS custa, precisa.

Bianca Fonseca: Tem que ter publicidade nas escolas em todos os lugares para a população se educar.

Ricardo Meireles: Vereador, por que não é tão claro para todos que o resíduo é de responsabilidade de quem o gera?

Floriano Pesaro: Ricardo, as empresas pouco colaboram para o esclarecimento da população. As embalagens dos produtos eletro-eletrônicos não alertam sobre o perigo de contaminação e eventuais danos ambientais. Penso que falta educação ambiental. É importante expandirmos o conceito. Divulgar. Informar a população.

Felipe Andueza: Floriano, sem dúvidas! Sem a colaboração e apoio da população, não há como gerir adequadamente os resíduos, eletrônicos ou não.

Pamela Salazar Mora: Tanto é claro que cada um faz o que quer com ele. Seja jogar pela janela e se livrar dele!

Marcos Moreira: Ricardo, nós somos responsáveis também, pois, se compramos produtos com muita embalagem ou que não são recicláveis, geramos uma "demanda" para a indústria. E aí, de quem é a culpa nesse caso?

Roberto Sampaio: Concordo com o Marcos. É um absurdo a quantidade de embalagem de alguns produtos.

Luisa Andrade: Acho a multa fundamental ou o incentivo a quem recicla.

Marcos Moreira: Luisa, o "incentivo a quem recicla." tem dado muito mais resultado.

Yvone Carvalho: Infelizmente, o povo ainda não sabe reciclar o lixo. Sou totalmente a favor da reciclagem. Mas as pessoas ainda não sabem reciclar.

Claudio Vieira: Por que as embalagens não podem retornar para seus fabricantes para dar destino?

Marcos Moreira: Porque a logística reversa é complexa demais.

Felipe Andueza: Marcos, a logística reversa é tão complexa quanto a não-reversa. Não há espaço de mercado, mas há de se abrir.

Joceli Adair da Silva: Pode ser até mania, mas já faz tempo que uso sacola de feira no mercado, pequenos hábitos favorecem.

Bianca Fonseca: Floriano as empresas receberão algum incentivo para realizar as campanhas de esclarecimento? Ser feita de várias formas nas escolas, publicidade etc.

Floriano Pesaro: Bianca, no projeto coloco exatamente isso, que as empresas receberão incentivo para realizar campanhas de esclarecimento. Quem irá especificar os benefícios e incentivos é o Poder Executivo quando regulamentar a lei.

Ricardo Meireles: Eu sou responsável por limpar a calçada que meus cães sujam, e por jogar lixo no lugar certo. Mas, sem coleta seletiva, como faço? Está tudo em um saco, que o caminhão recolhe três vezes na semana: plástico, cocô de cachorro, papel, resto de comida.

Joceli Adair da Silva: Uma questão tem que ficar clara: nos cabe apenas separar o lixo, reciclável e orgânico. Defendo a instalação de equipamentos como os existentes no Grupo Pão de Açúcar. Melhoraria em muito a qualidade dos trabalhos das cooperativas.

Ricardo Meireles: Floriano, e não seria a legislação a melhor ferramenta para que estes esclarecimentos fossem feitos?

Floriano Pesaro: Concordo, Ricardo. É importante fortalecermos as ações entre Estado e sociedade civil. Cada um fazendo sua parte. Como legislador, tenho absoluta convicção de que a LEI ajuda bastante, mas não resolve. É preciso cultura política, cultura ambiental, responsabilidade social.

Ricardo Meireles: É isso. Tenho visto as parcerias governo + comunidade + empresas funcionarem em vários sentidos, sendo boa para todos: em educação, saúde e outras áreas. Por que não na coleta?

Floriano Pesaro: Também, mas não unicamente. A lei dá as diretrizes, mas as campanhas educativas e de esclarecimentos podem ser feitas pelo poder público, pelo terceiro setor, pela sociedade organizada. A Legislação é uma via, mas é importante também mudarmos a cultura do país. Criarmos uma cultura voltada ao meio ambiente.

Marcos Moreira: As parcerias existem, as coisas acontecem, mas falamos de uma cidade com milhões de habitantes.

Floriano Pesaro: Ricardo, no meu PL sobre o lixo tecnológico eu proponho a realização de campanhas para isso.

Yvone Carvalho: Hoje vejo algumas empresas mais preocupadas com o meio ambiente. No final, vamos ver que tudo isso está lincado com a educação.

Luisa Andrade: As grandes empresas só fazem reciclagem pelo marketing

Marcos Moreira: Luisa, não podemos generalizar também. De fato, algumas têm consciência e gestão eficaz dos resíduos.

Luisa Andrade: Marcos, acho que as empresas estão começando e a população deve ser incentivada.

Felipe Andueza: Luisa, que façam pelo marketing ou pela lei, o importante é não contaminar o meio-ambiente. Para se ter uma idéia, contaminação por metal pesado é praticamente irreversível, é muito difícil retirá-los do organismo.

Floriano Pesaro: Luisa, as empresas dão respostas às demandas de seus clientes. A mudança de cultura e atitude dos indivíduos é capaz de grandes transformações sociais.

Rosana Ferraz Chaves: Pior é que a própria Sabesp joga esgoto nos córregos.

Felipe Andueza: Rosana, o problema da coleta do esgoto em São Paulo é complexo. De uma malha complicada de se conectar tanto pela geografia da cidade como pelo histórico crescimento desordenado. A Sabesp poderia fazer melhor, mas não é só dela que depende essa solução.

Floriano Pesaro: Rosana, sobre a Sabesp, você tem toda a razão, mas a Prefeitura está com o Programa Córrego Limpo, uma parceria com o Governo do Estado. O Programa concluiu sua primeira fase com a despoluição de 28 córregos da cidade e outros 14 com seus principais trechos recuperados. A meta é a despoluição de 100 córregos até 2010.

Rosana Ferraz Chaves: Eu conheço o programa Córrego Limpo, mas acho que a Sabesp deveria ser responsabilizada pela poluição que ela mesma possibilita.

Floriano Pesaro: Rosana, a Sabesp e a Prefeitura executaram obras de urbanização, que envolveram remoção de favelas e construção de novas moradias, saneamento, implantação de redes de coleta de esgoto e tratamento, novo calçamento, limpeza mecânica e manual do córrego. Também foi construído um parque linear com equipamentos de lazer. Com a intervenção, o indicador de poluição deste curso, conhecido como Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), caiu de 99 mg/l para 2 mg/l em dois anos.

Rosana Kutnikas: Fico feliz de saber da iniciativa da prefeitura referente ao Programa Córrego Limpo, mas a população não está sendo educada a parar de jogar o lixo nas ruas e córregos.

Ricardo Meireles: Lixo é um problema de infraestrutura, habitação e do que mais?

Roberto Sampaio: Ricardo, acho que também é um problema de educação…

Floriano Pesaro: Vejam, Ricardo e Rosana. Além de políticas públicas, há necessidade de campanhas de educação ambiental para alertar a população sobre o problema, pois parte dele pode ser evitada pelo próprio cidadão.

Rosana Kutnikas: Então, agora antes do período das chuvas, não seria hora de uma campanha focando a educação ambiental a toda a população? Será que não minimizaria o custo nas limpezas dos córregos?

Rosana Ferraz Chaves: É que quando a gente fala em lixo, que é um assunto tão complexo, não pode se esquecer da falta de uma política habitacional, porque em favela o problema do lixo é gritante.

Claudio Vieira: Quem produz alguma coisa deveria ser responsável pelo destino de suas embalagens!

Bianca Fonseca: Concordo Cláudio. Mas temos que nos educar e separar o lixo em casa.

Marcos Moreira: A ONG Reciclázaro coleta a produção de apenas 50.000 pessoas, mas São Paulo tem 11.000.000!!!

Yvone Carvalho: É uma questão de educar a população a respeitar mais o meio ambiente.

Floriano Pesaro: Sim, Yvone, poder público trabalhando em conjunto com a sociedade! Apresentei também um PL que determina que as concessionárias de serviço de coleta de lixo na cidade informem aos usuários os horários de coleta e transporte dos resíduos sólidos.

Bianca Fonseca: Esse projeto que o Floriano fez divulga o horário da coleta do lixo é super interessante, mas a população tem que colaborar.

Claudio Vieira: Concordo com a Bianca. O cidadão é o fiel da balança!

Marcos Moreira: Bianca, se as empresas de lixo divulgarem os horários e não houver cooperativas organizadas suficientes, aqueles "morcegões" passarão antes do horário e haverá muito saco de lixo aberto e resíduo espalhado por aí. No dia a dia, trabalhamos com catadores que faziam isso e hoje fazem parte de cooperativas organizadas e com respeito ao trabalho de cada um deles.

Floriano Pesaro: Marcos, além disso, se a população sabe qual o horário da coleta, evitará deixar o lixo exposto por longos períodos desnecessariamente, causando inúmeros problemas ao ambiente e à saúde humana.

Diogo Ribeiro: Em 2008, me formei em arquitetura e urbanismo, meu trabalho de conclusão foi sobre resíduos urbanos. Existem vários pequenos centros de coleta de material reaproveitável na cidade, mas não existe organização. Pequenos centros espalhados estrategicamente pela cidade poderiam dar conta de muita coisa, captariam o material reaproveitável, gerariam empregos para pessoas com dificuldades e ocupariam espaços em desuso. Por isso, o nome do trabalho é "resíduos urbanos"; lixo, exclusão social e espaços residuais.

Floriano Pesaro: Diogo, você sabia que foi na minha gestão como Secretário da Assistência que doamos o terreno para a Coopamare?

Diogo Ribeiro: As cooperativas geralmente separam, lavam e fazem todas as etapas de beneficiamento que agregam valor ao material. Hoje em dia realmente cabe a nós apenas separar o que é reaproveitável e o que não é!

Yvone Carvalho: Vocês sabiam que tem empresa que hoje em dia para realizar um evento exige que todo o material do evento seja reciclado? Na Fórmula 1, os troféus eram de material reciclável. Muitos não gostaram e li algumas criticas.

Claudio Vieira: É engraçado quando a gente coloca aquelas sacolas no porta-malas do carro para levar para a reciclagem e vemos os vizinhos olhando como se fossemos extra-terrestres!

Kassiane Vasconcelos: A Educação Ambiental deveria ter maior propagação, pois se temos uma população consciente e ativa na separação do material descartável, temos uma nova perspectiva da situação dos catadores e de todo o processo envolvido.

Joceli Adair da Silva: Hoje estamos com 90 catadores que passam por capacitação do CEMPRE para a formação de cooperativa. A maioria morava nas carroças e já não faz mais isto, o que mostra que resolve dois problemas: a triagem em vias públicas e sua interface com o morador de rua.

Floriano Pesaro: O trabalho desenvolvido pelo Joceli é fundamental.

Marcos Moreira: Eu defendo um modelo de transição: dos carroceiros para os triadores. Não podemos ficar inertes diante da "tração humana". A ampliação anunciada pelo prefeito, hoje, vai humanizar muito esse trabalho.

Floriano Pesaro: Eu também defendo este modelo de transição.

Ana Paula: Como seria essa mudança?

Marcos Moreira: A implantação de centrais de triagem e a agregação dos carroceiros nesse modelo organizado têm gerado mais renda, mais cidadania e mais qualidade de vida.

Florêncio Lemos: São Paulo possui aterro sanitário. Eles estão sendo utilizados?

Floriano Pesaro: Há aterros em São Paulo, como, por exemplo o São João e o Bandeirantes, que a Prefeitura vende créditos de carbono, e três estações de transbordo, onde os caminhões despejam o lixo para ser compactado.

Luisa Andrade: Joceli, e as centrais de reciclagem? A Prefeitura vai implantar qual modelo?

Joceli Adair da Silva: A Prefeitura tem sua proposta definida. As centrais de triagem devem ser preparadas como chão de fábrica, ou seja, mais aprimoramento técnico, três turnos de operação para a geração de mais vagas etc. Só que este modelo não atinge todos que vivem da coleta. Por isso, defendo um modelo para catadores avulsos. A visão deste na rua dificulta sua integração na central. A instalação de 1000 PEV-M gerará 1200 vagas com recebimento mínimo de R$ 500,00 por cooperado.

Joceli Adair da Silva: Vejo que todos possuem um papel importante neste meio: as entidades que assistem os catadores foram importantes, os catadores hoje possuem caminho e diálogo próprio, algo que sempre defendi frente à coleta seletiva.

Marcos Moreira: O Joceli tem razão. As entidades abriram caminhos, e os catadores tem muita autonomia hoje em dia.

Joceli Adair da Silva: Marcos, este modelo de transição você encontra no Glicério. Podemos marcar uma visita no local. É bem interessante.

Felipe Andueza: Marcos, mas as condições de trabalho dos catadores ainda são precárias. E quando se pensa que deve trabalhar com lixo eletrônico, a situação fica ainda mais alarmante, pois são resíduos tóxicos que exigem treinamento e equipamento de proteção integral para o adequado manuseio.

Marcos Moreira: Mas tem muita gente boa que aprende rápido. Às vezes falta quem ensine. Nós fomos buscar ajuda na indústria do plástico, por exemplo, e hoje a triagem é muito melhor.

Floriano Pesaro: Exatamente, Marcos. Precisamos investir em capacitação. O poder público é chave nesse processo.

Felipe Andueza: Marcos, há muita gente boa nesse meio, sem dúvida. Mas puxar carroça com lixo tóxico não é uma boa solução, é melhor criar centros de triagem por todos os bairros, onde os catadores poderão trabalhar em melhores condições.

Marcos Moreira: Mas, no nosso caso, onde 100% do resíduo é proveniente de coleta mecanizada, precisamos de ajuda com o processo de destinação.

Ricardo Kobashi: Vocês não acham que há um caminho digno para os catadores?

Felipe Andueza: Kobashi, sim, há um caminho digno. Passa por integrar no ciclo reverso, melhorando condições de trabalho e capacitando-os para tal fim.

Ricardo Kobashi: Há maneiras de inserir os catadores no processo de coleta e reciclagem com dignidade.

Floriano Pesaro: Sem dúvida, Kobashi, é importante estimularmos uma rede de comercialização solidária. Incluir os catadores, gerar renda. Isso é fair trade. Geração de renda em um país em desenvolvimento, como o nosso, é fundamental. Apoio o tema e tenho projetos sobre este assunto.

Ricardo Kobashi: As subprefeituras poderiam contratar serviços de cooperativas de catadores desde que seguissem certos padrões. E dar apoio especial à saúde e moradia.

Rosana Ferraz Chaves: Gostei muito desse CHAT Floriano. Espero que ocorram outros com temas ambientais.

Floriano Pesaro: Obrigado Rosana. É uma forma de ficar mais próximo do meu eleitor e de ouvir suas demandas.

Pamela Salazar Mora: Parabéns pelo debate. Esta iniciativa precisa ser amplamente divulgada. Assim poderemos avançar na questão dos resíduos e sua destinação.

Claudio Vieira: Parabéns, Vereador Floriano, por esta aproximação com o cidadão!

Dilze Lima: Pessoal, este Chat foi bem diferente dos anteriores. Gostei muito de debatermos sobre um tema específico. Floriano, repita essa experiência.

Felipe Andueza: Floriano, agradeço o convite e a possibilidade de debater o tema com tantas pessoas interessadas. Parabéns pela iniciativa!

Joceli Adair da Silva: Obrigado a todos. Parabéns Floriano. Você sempre sai na frente. Muito obrigado pelo convite.

Floriano Pesaro: Então, combinado. O próximo CHAT será no dia 26/11 às 19h.