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01/06/2010

José Renato, do Teatro Arena, dirige CPC-UMES em peça de Bertolt Brecht

O fundador do Teatro de Arena e um dos mais importantes diretores em atividade no Brasil, José Renato, leva ao palco do Teatro Denoy de Oliveira um espetáculo vibrante: “Santa Joana dos Matadouros”, de Bertolt Brecht, que retrata a grande depressão do início do século 20, mas que em tudo lembra a crise desta primeira década de século 21. A produção é do Centro Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (CPC-UMES).

No dia 24 de maio, José Renato e Roger Levy foram homenageados pelo vereador Floriano Pesaro com a Medalha de Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, pelos

55 anos de fundação do Teatro Arena

. Também foi entregue a Salva de Prata à atriz Eva Wilma, em nome da instituição.

Com um elenco de 15 atores e atrizes, além de três músicos, a peça trata as tensões entre capitalistas e as agruras vividas pelos trabalhadores de Chicago durante o inverno e no auge da crise econômica de 1929. O autor coloca em cena os mecanismos que produzem a crise: superprodução, falta de mercado para escoá-la e os principais empresários tentando compensar queda nos lucros através da especulação e do aumento da exploração, o que, por sua vez, leva a mais quebradeira, mais fome e produz seu oposto: os movimentos operários contra o fechamento das fábricas.

Na trama, Jack Pierpoint (Alexandre Krug), o rei da carne de Chicago, recebe informações de “seus amigos de Nova Iorque”, sobre a iminência da crise. Tenta safar-se, jogando o prejuízo nas costas de seu sócio Ambrósio (João Ribeiro). O resultado será o fechamento das fábricas e o desemprego em massa. Tentando salvar a alma dos demitidos, aparece Joana (Érika Coracini), jovem pregadora dos Chapéus Negros. O encontro da inocência útil de Joana e da consciência ao mesmo tempo pesada e esperta de Pierpoint resultará em um agravamento ainda maior da crise.

Em “Santa Joana”, as emoções estão a serviço do entendimento de como a crise pode propiciar diferentes desfechos e de como estes desfechos dependem da ação, das decisões de cada agente social em enfrentamento. É um desafio, um texto complexo em que a pena arguta de Brecht trata destes mecanismos, das multidões que eles colocam em movimento. Um desafio muito bem ilustrado pelas palavras do diretor José Renato: “Considero, pela minha experiência, esta encenação um espetáculo vivo, criado, em sua maioria, por atores jovens e motivados, e, por isso mesmo, polêmico e sujeito a alterações criativas”.

Essa obra, pelas elucidações que é capaz de encaminhar com precisão e profundidade poética e dramática, demonstra plena atualidade – mesmo depois de 80 anos de sua conclusão. Num momento em que uma crise – talvez a mais profunda da história do capitalismo – é caracterizada pela montanha de derivativos sem lastro, engendrados nos EUA, a realidade, já não nos deixa mais acreditar que “a desgraça vem como a chuva” – como a bispa Bárbara empenha-se em dizer aos operários.

Ao colocar diante do espectador a percepção de classes em movimento, Brecht põe em prática sua visão de teatro épico em que como diz o dramaturgo: “Só poderemos descrever o mundo atual para o homem atual na medida em que descrevermos um mundo passível de modificação”.

O CPC-UMES já levou a cartaz, em 1999, também com direção de José Renato, outra obra de Brecht, “Turandot”, que teve três indicações ao prêmio Shell daquele ano e venceu o de trilha musical.

SERVIÇO
ESTRÉIA: dia 4 de junho
EM CARTAZ: todos as sextas, sábados (21h) e domingos (19h).
LOCAL: no Teatro Denoy de Oliveira (rua Rui Barbosa, 323 – Bela Vista).
TELEFONE: (11) 3289-7475
INGRESSOS: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (estudantes, terceira idade, classe artística e professores da rede estadual com carteira da Apeoesp).

FICHA TÉCNICA:
Direção: José Renato
Tradução / Adaptação: Valério Bemfica
Direção Musical / Assistência de Direção: Luciano Carvalho
Cenografia: Cris Cortilio
Figurinos: Magê Blanques
Vídeos: Bernardo Torres
Operação Som / Luz / Vídeo: Ana Cristina Bezerra, Luz Lopes, Thiago Prates
Projeto Gráfico: Janaína Torres
Fotos: Marcelo Kahn
Cenotécnico: Cleyton Caetano
Maquinistas: Bruno Oliveira, Leandro Paneque, Luiz Aparecido do Carmo
Produção: CPC-UMES
Apoio de Produção: Forte Casa Teatro

ELENCO (em ordem alfabética):
Alessandro Moura – Don Salvatore / Líder Operário
Alexandre Krug – Jack Pierpoint
Bruna Amado – Chapéu Negro / Operária
Daniel Rodríguez – Jovem Operário / Criador / Policial
Érika Coracini – Joana
Felipe Ormeni – Big Joe / Policial
João Ribeiro – Don Ambrosio
Luiza Maia – Chapéu Negro / Gazeteiro / Secretária / Operária
Magê Blanques – Dona Abiggail / Chapéu Negro
Mário Zanca – Don Giuseppe
Natália Grisi – Chapéu Negro / Dona Sarah / Operário
Rafael Marques – Chapéu Negro / Contramestre / Operário
Rebeca Braia – Bispa Bárbara / Chapéu Negro / Operária
Rogério Nagai – Operário / Criador / Policial
Wilson Mandri – Tommaso

MÚSICOS:
André Teles – Músico / Segurança / Operário
Adriana Mioni – Músico / Operário
Luciano Carvalho – Músico / Narrador / Jornalista

FONTE: Nathaniel Braia, Assessor de Comunicação do CPC-UMES