Discursos

25/07/2013

24/04 – Uma leitura de Reinaldo de Azevedo: Contra o Instituto Lula

O SR. FLORIANO PESARO (PSDB) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, telespectadores da TV Câmara São Paulo, estudantes que se encontram na galeria, agradeço aos nobres Vereadores: José Rolim – também pertencente à bancada do PSDB -, que cumpre um papel fundamental na região do Morumbi e Paraisópolis; Attila Russomanno, pela atenção; e Celso Jatene, que fez um brilhante discurso sobre o holocausto armênio.
Nobre Vereador Celso Jatene, V.Exa. me emociona, porque esse é um tema muito caro para este Vereador. Estamos juntos nessa homenagem ao povo armênio, contra aquele genocídio, contra o Holocausto dos judeus, contra o genocídio de Darfur, todas essas barbáries do ser humano. O nobre Vereador Celso Jatene é um Sr. Parlamentar muito sensível e também ligado à questão dos direitos humanos. Agradeço e parabenizo V.Exa.
Também agradeço o nobre Vereador Carlos Apolinario que nos dá a honra da audiência e o Presidente Police Neto, este pequeno grande Presidente desta Casa.
Peço a permissão dos meus Colegas e dos telespectadores da TV Câmara São Paulo para ler um artigo que vai ao encontro do que penso sobre a doação do terreno público, na região da Luz, ao Instituto Lula. O título da minha argumentação são as 16 perguntas que o PT não responde. A Câmara Municipal de São Paulo aprovou por 37 votos a 10 a cessão de um terreno público no Centro de São Paulo para a construção do Memorial da Democracia, que será um braço do Instituto Lula.
O ex-Presidente Lula reivindicou a área ao Prefeito Gilberto Kassab, que gostou da ideia e, então, apresentou o projeto de lei a esta Casa. Quero ressaltar que o PSDB é contra. Ontem à noite, a Executiva Municipal do PSDB, sob a presidência do Deputado Federal Julio Semeghini, aprovou uma manifestação contrária à doação desse terreno. Portanto, o PSDB neste momento, através de sua Executiva Municipal, se posiciona frontalmente contrário, mas a bancada já havia se posicionado contrária quando da votação, na última semana.
Quero fazer a leitura deste artigo que tenho em mãos – que considerei bastante oportuno -, do Jornalista Reinaldo Azevedo, HYPERLINK “http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/tenho-algumas-perguntas-a-fazer-a-lula-a-kassab-e-aos-vereadores-que-querem-doar-patrimonio-publico-para-o-falso-%e2%80%9cmemorial-da-democracia%e2%80%9d-do-pt-se-houver-resposta-juro-que-publico/” Tenho algumas perguntas a fazer a Lula, a Kassab e aos vereadores que querem doar patrimônio público para o falso “Memorial da Democracia” do PT. Se houver resposta, juro que publico!
“O Instituto Lula quer construir no Centro de São Paulo, num terreno que fica na antiga Cracolândia, o que chama ‘Memorial da Democracia’, que reunirá, com especial ênfase, um acervo de documentos e objetos dos oito anos de mandato do apedeuta. Os petistas agora dizem que pretendem dar atenção também a outros momentos importantes da história, como a luta contra a escravidão, a proclamação da República etc. Para tanto, pediram à Prefeitura de São Paulo a cessão do tal terreno, com o que concordou o Prefeito Gilberto Kassab – PSD, que já enviou o pedido à Câmara, onde tem folgada maioria. Então ficamos com o roteiro completo para o triunfo da mistificação: Lula, um ex-Presidente bastante popular, pede um terreno ao Sr. Prefeito; este, que vive uma fase de aproximação com o PT, acha a idéia boa e envia a mensagem à Câmara, onde tem maioria. A maioria dos Vereadores tende a concordar: quem não é fiel a Lula é fiel a Kassab. Resta ao Ministério Público demonstrar se tem ou não vergonha na cara e memória histórica ou se também está rendido a um partido político. E por que escrevo assim?
O escracho já começa no nome do empreendimento. O inspirador do ‘Instituto Lula’ — que quer privatizar uma área de mais de 4 mil metros quadrados, que pertence a todos os moradores de São Paulo — decidiu, como se vê, privatizar também a democracia. Julga-se no papel de quem pode ser o inspirador de um ‘memorial’. É uma piada grotesca, típica de asininos enfatuados, de exploradores da boa-fé pública. Se Lula é o senhor de um ‘Memorial da Democracia’, o que devemos a Ulysses Guimarães, por exemplo? A canonização? Estamos diante de uma pantomima histórica, de uma fraude.
Tenho algumas perguntas a fazer a Lula, a Kassab e aos Vereadores que estão doidos para cair de joelhos.
1: Constituição – A negativa dos petistas em participar da sessão homologatória da Constituição de 1988, uma das atitudes mais indignas tomadas até hoje por esse partido, fará parte do ‘Memorial da Democracia’ ou esse trecho será aspirado da história, mais ou menos como a Ministra da Mulher diz que aspirava úteros na Colômbia?
2: Expulsões – A expulsão dos três Deputados petistas que participaram do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves, pondo fim à ditadura – Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes – fará parte do “Memorial da Democracia”, ou isso também será aspirado da história, como a Universidade Federal de Santa Catarina aspirou a entrevista da agora Ministra da Mulher? Em tempo, vi dia desses Soares negar na TV Cultura que tivesse sido expulso. Diga o que quiser, agora que fez as pazes com a legenda. Foi expulso, sim!
3: Governo Itamar – A expulsão de Luiza Erundina do partido porque aceitou ser Ministra da Administração do Governo Itamar, cuja estabilidade era fundamental para a democracia brasileira, entra no Memorial da Democracia ou esse fato será eliminado da história junto com os fatos, os fetos, as fotos e os homens que não são do agrado do petismo?
4: Voto contra o Real – A mobilização do partido contra a aprovação do Plano Real integrará o acervo do Memorial da Democracia ou os petistas farão de conta que sempre apostaram na estabilidade do País?
5: Guerra contra as privatizações – As guerras bucéfalas contra as privatizações – o tema anda mais atual do que nunca – e todas as indignidades ditas contra a correta e necessária entrada do capital estrangeiro em setores ditos estratégicos merecerá uma leitura isenta, ou o Memorial da Democracia se atreverá a reunir como virtudes todas as imposturas do partido?
6: Luta contra a reestruturação dos bancos – A guerra insana do petismo contra a reestruturação dos bancos públicos e privados ganhará uma área especial no Memorial da Democracia ou os petistas farão de conta que aquilo nunca aconteceu? Terão a coragem, já que são quem são, de insistir na mentira e de tratar, de novo, um dos pilares da salvação do País como um malefício, a exemplo do que fizeram no passado?
7: Ataque à Lei de Responsabilidade Fiscal – Os petistas exporão os documentos que evidenciam que o partido recorreu à Justiça contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, tornada depois cláusula pétrea da gestão de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda?
8: Mensalão – O Memorial da Democracia vai expor, enfim, a conspiração dos vigaristas, que tiveram a desplante de usar dinheiro sujo para tentar criar uma espécie de Congresso paralelo, alimentado por escroques de dentro e de fora do governo? O prédio vai reunir os documentos da movimentação ilegal de dinheiro?
9: Duda Mendonça na CPI – Haverá no Memorial da Democracia o filme do depoimento de Duda Mendonça na CPI do Mensalão, quando confessou ter recebido numa empresa no exterior o pagamento da campanha eleitoral de Lula em 2002? O museu de Lula terá a coragem de evidenciar que ali estava motivo o bastante para o impeachment do Presidente?
10: Dossiê dos aloprados – O Memorial da Democracia que tanto entusiasma Lula trará a foto da montanha de dinheiro flagrada com os ditos aloprados, que tentavam fraudar as eleições – para não variar -, buscando imputar a José Serra um crime que não cometera? Exibirá a foto do assessor de Aloizio Mercadante, que disputava com Serra, carregando a mala preta?
11: Dossiê da Casa Civil – Esse magnífico Memorial da Democracia trará os documentos sobre o dossiê de indignidades elaborado na Casa Civil contra Fernando Henrique Cardoso e contra, pasmem, Ruth Cardoso, quando a titular da Pasta era ninguém menos do que Dilma Rousseff, e sua lugar-tenente, ninguém menos do que Erenice Guerra? Estará lá presente no Memorial da Democracia?
12: Censura à imprensa – O Prefeito quer doar o terreno, S.Exa. se comprometeria a pedir a Lula que o Memorial da Democracia reunisse as evidências das muitas vezes em que o PT tentou censurar a imprensa, seja tentando criar o Conselho Federal de Jornalismo, seja introduzindo no Plano Nacional de Direitos Humanos mecanismos de censura prévia?
13: Imprensa comprada e vendida – Teremos a chance de ver os contratos de publicidade do governo e das estatais com pistoleiros disfarçados de jornalistas, que usam o dinheiro público para atacar a imprensa séria e aqueles que o governo considera adversários nos governos dos Estados, no Legislativo e no Judiciário?
14 – Novo dossiê contra adversário – O Museu da Democracia do Instituto Lula reunirá as evidências todas das novas conspiratas do petismo contra o candidato da oposição, em 2010, com a criação de bunker para fazer dossiês com acusações falsas e a quebra do sigilo fiscal de familiares do candidato José Serra e de dirigentes tucanos?
15 – O uso da máquina contra governos de adversários – a mobilização da máquina federal contra o Governo de São Paulo em episódios como o da retomada da Cracolândia e da desocupação do Pinheirinho entrará ou não no Memorial da Democracia como ato indigno do Governo Federal?
16 – Apoio a ditaduras – O sistemático apoio que os petistas empenham a ditaduras mundo afora estará devidamente retratado no Memorial da Democracia? Veremos Lula a comparar presos de consciência em Cuba a presos comuns no Brasil? Veremos Dilma Rousseff a comparar os dissidentes da ilha aos terroristas de Guantánamo?.”
E aqui poderei incluir, no meu discurso, no texto do Reinaldo, também a proximidade com ditadores, como o ditador do Irã, ou mesmo com o Governo autoritário de Hugo Chaves. Volto a ler o texto do Jornalista Reinaldo Azevedo.
“Fiz algumas perguntas sobre 16 temas. Poderia passar aqui a noite listando as vigarices, imposturas, falcatruas e tentativas de fraudar a democracia, protagonizadas por petistas e por governos do PT. As que se leem são apenas as mais notórias e conhecidas.”
Todos os fatos aqui são relatados amplamente pela imprensa. Podem parecer fortes na leitura que faço do texto do Jornalista Reinaldo Azevedo, mas são todos de notório conhecimento. Volto ao texto.
“Não! Erram aqueles que acham que quero impedir Lula – e o PT – de contar a História como lhe der na telha. Quem gosta de censura são os petistas, não eu! O apedeuta que conte o mundo desde o fim e rivalize, se quiser, com Adão, Noé, Moisés ou o próprio Deus, para citar alguém que ele deve julgar quase à sua altura. Mas não há de ser com o nosso dinheiro”.
Esse é o ponto. Quero deixar claro aqui – e faço minha as palavras do jornalista -, que o Sr. Prefeito tem o direito de doar uma área pública para aquilo que será necessariamente um movimento, ou que será algo aberto à população e que possa ser algo suprapartidário, mas não tem o direito a essa aprovação – e é por isso que defendo nesta Casa que não devemos dar prosseguimento à votação dessa matéria – uma vez que aquilo que está sendo discutido é absolutamente parcial.
Continuo a leitura.
“Supor que Paulo Vannuchi – justamente o responsável por aquele plano sinistro que dizia ser de direitos humanos e que previa censura prévia – e Paulo Okamotto possam ter qualquer iniciativa que não traga um viés petista é tolice ou má-fé. Ou, então, que nós e o Executivo transformemos o Centro de São Paulo numa espécie de Esplanada dos Partidos. Mas não só para Lula, não é?”
Caros Colegas, termino o meu tempo dizendo que vamos continuar na batalha do convencimento. Trarei notícias, informações, porque julgo que isso é democrático. Sei que serei alvo também de ataques e isso faz parte da democracia, mas quero manter esse debate no foco correto: que é a doação de um terreno público para um instituto privado, com o agravante de que esse instituto privado quer construir ali um memorial da democracia, contado por uma só voz, a voz que diz que nunca antes neste País houve nada, e que tudo começou em 2003. Eu lamento.
Muito obrigado.