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12/02/2014

05/2009 – Independência de Israel

14 de Maio de1948… Foi criado um novo país. Israel, que não seria mais o sonho distante, inalcansável. É como se os profetas houvessem levantado de suas tumbas, como se suas palavras ressoassem de uma forma diferente. Incontáveis almas no mundo se maravilharam.
Aconteceu o milagre: ISRAEL. A grande virtude de um milagre não é que seja um fenômeno inesperado e inacreditável no qual habita a presença do sagrado, e sim que aconteça a seres humanos, que se sentem profundamente reverenciados com tal presença.
Nossos antepassados só puderam sonhar com isso. Para aqueles entre este povo incansável que estiveram em Auschwitz, Jerusalém era mais distante do que a lua… até que este mesmo bravo povo tomou seu destino em suas mãos.
Entretanto, os judeus de hoje não entraram sozinhos em Israel, na cidade de Jerusalém. Nós, que pertencemos à geração do novo Estado, fomos levados à Jerusalém por incessantes torrentes dedesejos, intermináveis orações, perseverança, sonhos, de dia e de noite, durante anos, décadas, séculos, milênios, com rios de lágrimas, promessas e anseios, de todas as partes do mundo, de todos os cantos da terra.
Israel é a expressão do que a determinação, o sonho e a ação podem alcançar. Sem falsas utopias, sem ingenuidade, mas com todo o empenho de um país e de um povo escrevendo e reescrevendo a história.
É neste contexto que “Hatikvá” – “A Esperança” foi designado como hino deste país e do povo judeu. A canção confere expressão adequada à aspiração milenar dos judeus de ser um povo livre em sua terra. Tzion (od ló avdá tikvateinu, ahatikvá shenot alpaim, lihiot AM chofshi be’eretz Tzion Ierushalaim).
Com o estabelecimento do estado judeu, a Esperança torna-se o hino nacional. Durante os mais de 60 anos deste país Hatikvá estabeleceu-se como declaração relevante de um povo.
Hoje, embora o fantasma de futuras guerras ainda paire em nosso horizonte, fica evidente que as aspirações dos judeus tornaram-se realidade tangível. Apesar de todas as dificuldades e ameaças, o Estado de Israel é uma das grandes histórias de sucesso do século 20 com seu passado, seu presente e seu futuro de modernidade e de vanguarda na tecnologia mundial.
Mas, mesmo hoje, com a celebração de um milagre tornado realidade, Israel ainda tem que chorar seus heróis. A história antiga e atual deste país é farta de sacrifícios e de heroísmo. Não é à toa que este país considera ser de mister celebrar Iom Ha zícaron no exato dia anterior à comemoração de sua independência.
Durante dois minutos, as sirenes de Israel ressoam, choram, lembrando dezenas de milhares de jovens heróis e mártires, mortos em combate pela sobrevivência desta nação. É incabível imaginar este país sem a referência de cada jovem que faleceu na busca deste ideal.
Por isso, devemos todos encontrar em nossas almas um sentimento de louvor e agradecimento por todos os jovens que entregaram suas vidas para tornar a existência e a sobrevivêcia de Israel uma realidade incontestável.
São filhos de mães enlutadas, mas também filhos desta terra, deste país. E hoje, enterrados, fazem parte desta nação, sobre a qual cresceram e à qual amaram.
O Estado de Israel surgiu apesar de muitas objeções pelo mundo, mas passaram mais de 6 décadas desde então e, embora ainda existam inúmeros pontos de conflito, uma parceria entre judeus e árabes tornou-se fato no Estado de Israel, não obstante as dificuldades.
É isto que comemoramos em Iom Ha’Aztmaut. É esta possibilidade de convivência e de tolerância, que pode servir de exemplo para o mundo.
O Iom Ha’Aztmaut é a data perfeita e o marco plausível para que se dêem passos que levem ao estreitamento da solidariedade entre judeus e árabes, passos que levem a um governo que avance na direção do entendimento e da paz.
Lembremo-nos que Israel é a síntese da saga humana. As palavras saíram deste espaço sagrado e entraram nas páginas dos livros cânones. Mas Israel ainda tem muito mais a dizer. Israel nunca está no final do caminho. É o país onde nasceu a espera por Deus, onde se materializou a antecipação da paz duradoura.
É este país que celebramos hoje. O país da coragem, o país em que a narrativa bíblica com seu pacto divino, a ética e a moral estão sempre no inconsciente coletivo.
O país onde a vida ganha um significado maior: de perpetuação da história, de sonho realizado e de sobrevivência, o  país do respeito ao passado e certamente, da confiança no futuro. O país de Hatikvá!

Floriano Pesaro, sociólogo, ex-secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo e vereador da cidade de São Paulo.