Discursos

06/08/2013

01/09/2010 – Presidente populista

O SR. FLORIANO PESARO (PSDB) – Sr. Presidente, Srs. Vereadores, Sras. Vereadoras, telespectadores da TV Câmara São Paulo, público que nos acompanha na galeria desta Casa, já tivemos no Brasil presidentes para todos os gostos. Presidentes ditatorias, presidentes democráticos e até um presidente chamado de bossa-nova, mas nunca um presidente vendedor de ilusão como o atual. Também nunca tivemos no Brasil uma propaganda à moda de Goebbels como estamos tendo agora com este presidente populista.

O lema de Goebbels era: se uma mentira é repetida várias vezes, ela se tornará uma verdade. O povo, no sentido coletivo, vive em um eterno jardim da infância. Recolhemos alguns dados fornecidos pelo presidente ilusionista: o Governo atual disse que pagou a dívida externa, mas hoje está em torno de 230 bilhões de dólares. A pergunta é: pagou, quitou, saldou? Não! Mais uma mentira repetida várias vezes que se torna realidade. Pagamos, sim, ao FMI, 5 bilhões de dólares. Cinco! Portanto, mostra o quão distantes estamos do que é pregado para o povo. Nossa dívida interna saltou de 630 bilhões de reais em 2003 para 1,6 trilhão de reais. De 630 bilhões para 1,6 trilhão. É um trilhão de reais a mais a dívida interna no Brasil!

Nossa arrecadação em 2003, na posse do presidente populista, foi de 340 bilhões de reais. Em 2008 arrecadamos 1,024 trilhão de reais. É a verdadeira sangria que ocorre no Brasil em relação ao trabalhador. A sangria dos impostos cobrados pelo Governo Federal. Quando faz algum benefício no sentido de reduzir impostos para algum setor, o faz com o chapéu alheio porque faz diminuindo IPI, que é imposto dividido com estados e municípios. Não o faz com a diminuição de contribuições federais! Daí perderia o governo do presidente populista. Como não quer perder, faz com o chapéu dos outros, prejudicando a cidade de São Paulo ao diminuir o IPI de produtos industrializados. Este ano a arrecadação caiu 1%, e as despesas do Governo Federal aumentaram 16,5%. Ou seja, temos uma queda estável e que cai em momentos de crise. Isso é o natural. O que é anormal é o aumento brutal de despesas do Poder Federal baseado especificamente em contratação de pessoal nesta quantidade em que se contrata. Tais dados também são empurrados para debaixo do tapete. Vejam: somente com nomeações no âmbito federal já foram 108 mil novos funcionários públicos federais pagos com o imposto cobrado de todos nós. Isso sem contar com 60 mil cargos de confiança que são para os “companheiros”! É importante destacar que 108 mil entraram por concurso público. Há até dúvidas sobre a forma como tais concursos foram organizados e sua licitude. Além desses, há os 60 mil cargos que são para os “companheiros”. Esses são contratados por meio da amizade entre seus correligionários. Os gastos com infraestrutura, que é o que o Brasil precisa – e no caso da cidade de São Paulo, investimento em infraestrutura urbana e metropolitana – subiram 1%, enquanto as despesas com a máquina pública federal cresceu mais de 80%. É mais dinheiro para a atividade meio, para a atividade burocrática e para os “companheiros”, e menos dinheiro para a atividade fim, para investimento naquilo que é importante para o Brasil.

Em nossa cidade, há preocupação com a falta de investimento em habitação. Aqui o Programa Minha Casa Minha Vida se confunde com o Programa Fome Zero. Misturaram-se os dois e ficou “Casa Zero”. É o programa que temos hoje.

Essa é a preocupação que temos na Cidade com a ausência de investimento federal e com a sangria arrecadatória insuportável. Obrigado.