Carro roubado é isento de IPVA
Escrito por Floriano Pesaro em 30 de maio de 2008 – 10:54 -A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou nesta semana projeto de lei do governador José Serra que prevê que quem tiver o carro furtado ou roubado será dispensado do pagamento ou restituído proporcionalmente do IPVA pago a partir do mês da ocorrência. É uma medida muito justa, uma vez que entre as funções do Estado está a garantia da segurança do cidadão, que paga impostos para a segurança pública, segurança no trânsito e conservação das vias públicas.
Eu tive um carro roubado anos atrás e tinha acabado de pagar o IPVA em parcela única -era o mês de janeiro. Ou seja, o imposto que valia para todo aquele ano já havia sido quitado no primeiro mês. O projeto 1.393/2007 tem algumas regras: estabelece por exemplo que se o veículo for recuperado, o imposto deverá ser recolhido.
O projeto revela a preocupação do governador com o cidadão e é mais um exemplo do modo de fazer política do PSDB -que pensa nas pessoas.
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Revitalização na rua Augusta
Escrito por Floriano Pesaro em 29 de maio de 2008 – 12:14 -Interessante a iniciativa apresentada na coluna da última quarta-feira (28) do jornalista Gilberto Dimenstein na “Folha de S.Paulo”. Ele conta ali um processo que vem se consolidando na rua Augusta: a revitalização de um trecho desse importante espaço de São Paulo por meio da instalação de estabelecimentos culturais e de lazer, devolvendo à rua o caráter de centro de diversão que tinha décadas atrás.
Como bem lembra o Dimenstein, o início da Augusta -próximo da região central- simbolizava certa decadência paulistana, dominada pela prostituição. Mas recentemente grupos de teatro, casas noturnas e outros estabelecimentos de cultura e lazer se instalaram na região, atraindo um público que antes freqüentava os trechos mais próximos da avenida Paulista. A Augusta é uma das principais vias da nossa cidade e um processo de requalificação do seu cenário é digno de atenção e aplauso, com impacto no turismo, na segurança pública e na qualidade de vida.
Eu defendo a tese que é linha geral deste artigo, sobretudo para regiões da periferia da cidade: a instalação de áreas de cultura e lazer é a principal forma de melhorar a qualidade de vida em qualquer lugar. Quem for assinante e quiser ler o artigo na “Folha”, pode clicar aqui.
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Carona, trânsito e bom humor
Escrito por Floriano Pesaro em 28 de maio de 2008 – 17:11 -Muitas cidades do mundo, sobretudo as grandes metrópoles, contam com leis que visam estimular a carona. A idéia básica é evitar os congestionamentos em um cenário em que o motorista, muitas vezes sozinho em seu carro, olha para o vizinho de fila e percebe que ele também está só em seu veículo -e em geral é um carro em que cabem quatro ou cinco pessoas.
Defendo iniciativas que estimulem a carona solidária, uma medida que tem impacto não só no trânsito mas também no humor das pessoas. É mais legal você ir para o trabalho com alguém para conversar, pode trocar idéias e experiências. Ao dar carona, deixa-se um pouco de lado o individualismo característico de hoje em dia, em que muitos contatos são virtuais.
Vejo como muito oportuno o “Mutirão da Carona” promovido hoje pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente na Grande São Paulo, na Baixada Santista e em Campinas. Em sintonia com a secretaria, empresas e escolas organizaram incentivos para a adoção da carona entre seus funcionários, e de manhã foram aplicadas “multas legais” em alguns cruzamentos para quem estava sozinho em seu carro. Repare que, neste caso, a multa é apenas uma abordagem de conscientização e a entrega de folheto explicativo e adesivo alusivo à carona.
A medida é interessante, mas o ideal seria que tivéssemos legislação municipal de incentivo à carona, algo presente em cidades como Santiago do Chile e com resultados efetivos.

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São Paulo e os moradores de rua
Escrito por Floriano Pesaro em 26 de maio de 2008 – 17:55 -Poucas coisas me dão mais prazer na vida do que ver o resultado de um bom trabalho que fiz. Foi essa a sensação que tive hoje pela manhã ao ler reportagem publicada pelo jornal “Agora São Paulo”. O título “Albergues têm estrutura para moradores de rua” e o selo “Aprovado” indicam que o jornalista foi conhecer pessoalmente os centros de acolhida –e considerou o serviço satisfatório.
A rede de proteção que montamos na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social oferece hoje 10.400 vagas para adultos passarem a noite. É mais do que o suficiente para atender a demanda, mesmo nas noites frias do inverno paulistano –que leva a partir deste mês as temperaturas para abaixo de 10ºC na cidade.
Diz o repórter do jornal: “O que se presenciou foram áreas bem adaptadas para receber os moradores de rua: quartos com número aceitável de pessoas, banheiros em quantidade razoável e limpos e cozinhas higienizadas”.
Para quem se interessar, coloco abaixo a íntegra da reportagem original do jornal “Agora”.
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É preciso rodar menos pela cidade
Escrito por Floriano Pesaro em 26 de maio de 2008 – 16:07 -Quem mora em São Paulo fica assustado com os recordes de congestionamento na cidade. Quando parece que chegamos ao limite, basta uma chuva ou um acidente na marginal para termos mais alguns quilômetros de trânsito parado -e novos recordes nas medições da CET.
A prefeitura vem fazendo a parte dela, construindo grandes obras de engenharia para facilitar a interligação de importantes avenidas (como a recém-inaugurada ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira, que liga a marginal Pinheiros ao Brooklin –e vai se transformar num novo cartão-postal de São Paulo) e recapeando centenas de ruas da cidade.
Mas é importante que o cidadão saiba que também tem um papel fundamental na melhoria do trânsito da cidade. Fico chocado, por exemplo, quando converso com um cidadão que me diz que mora em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, e atravessa a capital para trabalhar na zona norte. Foi o caso de um rapaz que passava mais de 5 horas por dia dentro de ônibus para chegar e voltar do emprego, num hotel na marginal Tietê.
Sei das dificuldades de se conseguir um bom emprego, nos dias de hoje. E vejo o esforço que milhões de pessoas fazem todos os dias para ir e voltar do trabalho, enfrentando trens lotados e ônibus atrasados. Mas após estudar exaustivamente o assunto acredito que o caos no trânsito de São Paulo não vai acabar só com boa vontade política. É preciso também que os moradores da cidade evitem viagens desnecessárias (de carro particular e também no transporte público) e tentem, na medida do possível, buscar formas de encurtar a distância entre a casa e o local de trabalho (muitas vezes um e-mail pode evitar um novo deslocamento pela cidade).
Com um pequeno esforço diário de todos os paulistanos é possível diminuir esse grave problema da cidade, que consome milhões de reais por mês, piora a poluição urbana e torra a paciência dos motoristas.
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A violência contra os idosos
Escrito por Floriano Pesaro em 26 de maio de 2008 – 16:05 -A violência doméstica contra os idosos é um problema grave no Brasil. Mas tem solução. E São Paulo está na vanguarda desta luta.
Em 2003, a prefeitura prestava atendimento social a 11 mil idosos que estavam em situação de risco. Hoje, já atende 20 mil, com os abrigos de proteção implantados durante a minha gestão. O principal problema que os assistentes sociais relatam é a violência dentro de casa. E por incrível que pareça os principais agressores dos velhinhos são os próprios familiares.
Não dá para acreditar que em pleno século 21 alguém cometa uma agressão desse tipo. Mas isso ainda é uma realidade que deve ser combatida duramente.
Ainda há muito o que fazer, já que a estimativa é que há 200 mil idosos em situação de risco na cidade. Mas o caminho está traçado e deve ser seguido, sempre com o carinho que devemos dedicar à terceira idade.
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Políticas sociais na cidade de São Paulo por Floriano Pesaro
Escrito por Floriano Pesaro em 23 de maio de 2008 – 18:59 -Políticas sociais na cidade de São Paulo
05/05/2008
As políticas sociais no Brasil têm sua trajetória marcada por um círculo virtuoso de transformações e reformas, decisivas na consolidação de uma nova lógica de combate às desigualdades de oportunidades entre os cidadãos. A Constituição de 1988 e a aprovação da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), em 1993, são marcos deste processo de democratização, ampliação e universalização dos direitos, que imprimiu na agenda da política pública a responsabilidade pela proteção social sem contribuição prévia, ampliando o conceito de seguridade social.
Entretanto, um longo caminho vem sendo percorrido para a consolidação dos direitos sociais no país. Mais do que um imperativo constitucional, a efetivação do sistema de proteção social é um dos pilares da ética da sociedade democrática. Ela exige o rompimento com a centralização e o clientelismo, demanda o aumento dos níveis de participação da população e a sedimentação do controle social. E, ainda, impõe a superação da fragmentação das ações sociais e a aplicação dos recursos de maneira transparente, para que os esforços cheguem, efetivamente, a quem mais precisa de atendimento.
Para alcançar estes objetivos, enquanto estive à frente da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da cidade de São Paulo, nos últimos três anos, fui responsável por implantar uma estratégia bem sucedida de intervenção para oferecer oportunidades reais de emancipação e inclusão social. Nesse trajeto, várias conquistas foram realizadas. Entretanto, este rol de realizações não seria possível sem a transposição e superação de barreiras e obstáculos. Grandes mudanças foram operadas, que acompanharam o panorama nacional da implantação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), e que exigiram transformação radical e quebra de paradigmas, conceitos e culturas.
A superação destes desafios parece ainda maior em uma cidade com a magnitude de São Paulo. Sabe-se que as metrópoles têm potencial para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Porém, o crescimento urbano sem precedentes traz risco permanente de concentração de pobreza, na qual se combina privações de renda, de trabalho, de saúde, de habitação, de educação, de transporte etc.
O município mais rico e mais dinâmico do país tem cerca de 1,4 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, sendo que a grande maioria encontra-se nas periferias. Nas regiões centrais, existe cerca de 38 mil pessoas vivendo em cortiços, 13 mil adultos em situação de rua e, aproximadamente, 1840 crianças e adolescentes em situação de rua ou trabalho infantil.
Para enfrentar essas mazelas, a política pública de assistência social passou a olhar de perto esses grupos populacionais multifacetados, reconhecendo suas diferenças e necessidades. Ao mesmo tempo, as ações que já estavam dando certo foram aprimoradas, garantindo a continuidade da política social para a obtenção de resultados positivos e mais efetivos. Buscou-se, também, romper com as práticas assistencialistas e clientelistas, dando espaço para o desenvolvimento de ações voltadas à transformação do beneficiário em cidadão ativo, responsável e independente de programas assistenciais, que seja capaz de escrever a sua própria história de vida.
Pouco se pode esperar de uma política social que esteja somente centrada na questão monetária. Os programas de transferência de renda meramente compensatórios não premiam o esforço que as pessoas fazem para superar a sua condição de pobreza, tornando-as reféns do benefício.
O Programa Ação Família – viver em comunidade é um exemplo de que é possível ir além da transferência de renda, aliando o trabalho socioeducativo à promoção do acesso aos serviços públicos, tendo em vista o fortalecimento e a emancipação de famílias em situação de alta vulnerabilidade social. Vencedor dos prêmios Práticas Inovadoras na Gestão do Programa Bolsa Família, em 2006, e São Paulo Cidade – Inovação da Gestão Pública, em 2007, hoje 55 mil famílias participam do Programa, que acontece nos locais onde elas residem. Por meio das ações realizadas, estimulam-se a convivência familiar, a mobilização comunitária e o envolvimento da rede local visando atender as demandas e necessidades individuais e coletivas identificadas pelo Programa. Trata-se de um trabalho em rede, resultado da sinergia da ação integrada dos diferentes órgãos do poder público, governamentais ou não, da sociedade civil organizada e das comunidades.
O sucesso deste trabalho em rede confirma a premissa de que só é possível fazer a diferença com a articulação e o envolvimento de toda a sociedade. Apenas a ação isolada do Poder Público, com seus programas e serviços, não é suficiente para equacionar os problemas. A participação de toda a sociedade é ainda mais necessária quando se trata da questão do combate ao trabalho infantil. A indústria da esmola movimenta cerca de 25 milhões ao ano. Com o envolvimento de todos, o montante poderia ser canalizado para projetos sociais sérios, desenvolvidos para garantir os direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes.
Em 2005, dentro do Programa São Paulo Protege, lançamentos a campanha “Dê mais que esmola. Dê futuro”, uma verdadeira cruzada contra o trabalho infantil. Seu objetivo é alertar para o fato de que quem dá esmolas, ou compra produtos de crianças e adolescentes nos faróis, colabora com o trabalho infantil e com a perpetuação da pobreza. Alterar o hábito de dar esmolas exige, portanto, uma mudança de mentalidade e de cultura de toda a sociedade.
Se todos os cidadãos dispostos a colaborar tiverem um objetivo comum, os resultados serão mais efetivos e positivos. Os doadores empenhados em sua tarefa solidária contribuem de fato quando os recursos são destinados ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente – FUMCAD. Além de ter o benefício da dedução fiscal, o doador terá a certeza de que a sua ação fará a diferença para o desenvolvimento social.
Hoje, a campanha “Dê mais que esmola. Dê futuro” está na mídia, nas ruas, nos estabelecimentos comerciais e na frota de táxis da cidade. São mais de 77 parceiros institucionais, que sinalizam a conquista de um novo pacto social entre o poder público, a sociedade civil, as empresas e as organizações sociais. Ao implementar a Campanha e o Programa São Paulo Protege, procuramos conferir cidadania permanente a essa parcela da população que precisa se tornar livre, inclusive da falsa caridade que as faz cativas da má consciência.
Ter um apurado diagnóstico desse problema era fundamental para balizar as ações que pudessem trazer resultados efetivos ao enfrentamento das questões. Com esse objetivo, foi realizado o primeiro Censo de Crianças e Adolescentes em situação de rua e trabalho infantil. Desenvolvido em 2007, o Censo identificou 538 pontos de concentração e traçou o perfil desse público e de suas famílias.
Os resultados deste estudo contribuíram para o aprimoramento das ações do Programa São Paulo Protege. Em 2005, eram 4.030 crianças e adolescentes. Dessas, cerca de 2 mil foram retiradas do trabalho infantil urbano e das ruas, e colocadas em atividades do pós-escola, no contra-turno escolar. Suas famílias foram cadastradas e inseridas nos programas sociais.
Resultado de um trabalho persistente e incansável, o Programa São Paulo Protege organiza de forma descentralizada os serviços de atenção a indivíduos e famílias (crianças adolescentes, jovens, adultos e idosos) em alto grau de risco social e pessoal. Sua atuação ganhou as ruas por meio dos 474 Agentes de Proteção Social. Circulando pela cidade, de forma respeitosa e humana, são eles que realizam a abordagem às pessoas em situação de rua e os conseqüentes encaminhamentos aos serviços da rede de proteção social.
A esses importantes avanços soma-se à transparência do gasto do dinheiro público, conquistada com a alocação de 100% dos recursos para a execução de programas, projetos e serviços no Fundo Municipal de Assistência Social – FMAS.
Esta linha de atuação pró-ativa dos trabalhadores perpassa toda a estrutura organizacional da SMADS. Os técnicos das 31 Casas da Família – Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), localizadas nas Subprefeituras da cidade, também estão nas ruas. Eles realizam visitas domiciliares, identificam os problemas, acompanham de perto as ações e monitoram os resultados. Houve um intenso movimento de fortalecimento da gestão descentralizada em São Paulo, sobretudo no modelo de intervenção social dos CRAS, tornando-os mais próximos da população, com atendimento mais eficiente e integral, e desenvolvidos de maneira parceira com a rede socioassistencial.
Entretanto, o que resolveria possuir estratégias e concepções metodológicas inovadoras, sem o aumento da infra-estrutura e de recursos financeiros e humanos? Houve uma ampliação do orçamento da Assistência Social em São Paulo, que passou de 154,5 milhões em 2005, para 368,3 milhões em 2006, com a transferência do Programa Renda Mínima para a SMADS. Já em 2007, atingiu o valor de 556,7 milhões. A expansão orçamentária, de cerca de 260%, se reflete diretamente na ampliação da capacidade da rede socioassistencial.
Dentre os avanços, ainda vale destacar a relevância de ter as conquistas decorrentes do trabalho coletivo da competente e empenhada massa de trabalhadores sociais, que fazem a diferença no dia-a-dia e na resolução dos problemas.
Nesse processo de reorganização, duas coordenadorias importantes foram criadas, resultando em melhor qualidade dos serviços prestados. O Observatório de Política Sociais, responsável pelos processos de monitoramento e avaliação; e a Coordenadoria de Gestão de Benefícios, criada em decorrência da transferência do Programa Municipal de Renda Mínima da Secretaria Municipal do Trabalho para a da Assistência e Desenvolvimento Social. Esta foi uma decisão acertada, pois potencializou o alcance dos sete programas de transferência de renda, que atendem 500 mil pessoas e mobilizam 1 bilhão de reais ao ano, tornado-os mais próximos dos cidadãos usuários dos serviços socioassistenciais.
Porém, de nada adiantaria otimizar a gestão administrativa, evitar o desperdício de recursos, romper com a desarticulação entre os programas, projetos, serviços e benefícios, e anular a fragmentação das ações, se o atendimento final não estivesse direcionado à população mais vulnerável da cidade. Por isso, a partir de indicadores como o IPVS – Índice Paulista de Vulnerabilidade Social, e de estudos e pesquisas, foram traçados critérios técnicos para a focalização do atendimento. Paralelamente, foi desenvolvida e implementada uma estratégia de cadastramento domiciliar. Profissionais capacitados batem de porta em porta, nas residências das regiões de alta e muito alta vulnerabilidade social, para a coleta de dados que compõem os cadastros dos programas sociais e de transferência de renda. Dessa forma, é possível identificar, proteger e beneficiar, de fato, quem mais precisa.
Ao conhecer a fundo as necessidades do público-alvo da política pública de assistência social, nota-se que esta parcela da população não está privada apenas de renda, de condições dignas de moradia ou dos serviços públicos básicos de saúde e educação. Ela também não tem acesso à cultura, ao lazer e ao esporte, assim como possuem poucas (ou quase nenhuma) oportunidades para a conquista de uma posição no mercado de trabalho. Sob essa perspectiva, e no caminho contrário ao assistencialismo, a SMADS foi além da tarefa de garantir a proteção social, e apostou em iniciativas inovadoras como o Ludi-Cidade – Arte, Cultura, Esporte e a Roda da Cidadania – Rede Social de Comércio Solidário.
Estas ações oferecem oportunidades diferenciadas de inclusão social aos cidadãos usuários. De projeto no início de 2005, o Ludi-Cidade transformou-se em Programa Municipal em 2007. Seu objetivo é o de promover atividades de lazer, esportivas e culturais aos usuários dos serviços socioassistenciais. Em três anos, mais de 33 mil pessoas já freqüentaram diversos espetáculos de teatro, cinemas, circos, etc. Já a proposta do Roda da Cidadania – Rede Social de Comércio Solidário é a de promover a inserção produtiva e o comércio solidário para alavancar o desenvolvimento econômico dessas pessoas, por meio de oficinas e capacitações continuadas. Atualmente, 18 organizações sociais comercializam seus produtos na Loja-Escola (situada à Rua Líbero Badaró, 561 – Centro), em feiras e em eventos em todo o país. Algumas já exportam seus produtos, a partir de pedidos de empresas do exterior.
Toda esta empreitada proposta pelo conjunto de programas, projetos, serviços e benefícios não é tarefa simples para execução. Demanda profissionais qualificados, atentos às diretrizes, orientações metodológicas e linhas de atuação, que sejam capazes de debater, elaborar propostas e promover reflexão sobre a política de assistência social. Assim, foi primordial investir na formação continuada dos trabalhadores sociais para a prática profissional. Nos últimos três anos, foram oferecidas 14.693 vagas em 136 diferentes ações de capacitação, com destaque para o Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão Social, dirigido aos servidores públicos municipais.
Para trilhar este caminho com sucesso também é fundamental contar com a sincronia e a sinergia das demais políticas públicas. Neste sentido, diversas ações foram potencializadas a partir da articulação com as secretarias municipais e estaduais, visando proporcionar o atendimento integral ao cidadão. Da mesma forma, o apoio de renomados organismos internacionais, como o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, e o PNUD – Programa de Nações Unidas Para Desenvolvimento, legitimam e ajudam a solidificar as bases da assistência social na cidade.
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Eu acredito…Eu dou Futuro
Escrito por Floriano Pesaro em 23 de maio de 2008 – 18:57 -Eu acredito.
Eu luto.
Eu dou FUTURO
Os Dez Mandamentos para uma Cidade Combalida, de Sérgio Kon:
* Sérgio Kon é arquiteto e artista gráfico, autor de Imagem: Da Caverna ao Monitor, a Aventura Do Olhar.
1. Serás um cidadão solidário; darás valor aos interesses coletivos; serás sensível às necessidades de seus semelhantes.
2. Não descuidarás de teu ambiente. Cuidarás de mantê-lo sempre limpo e seguro; nunca o poluirás e nunca deixarás que o degradem.
3. Não vilipendiarás o espaço público.
4. Obedecerás às leis, exigirás reformas, permanecerás crítico e ativo.
5. Respeitarás teu próximo e teu distante. Nada farás que incomodaria a ti mesmo, como cidadão.
6. Exigirás teu lugar na tua cidade. Tomarás o espaço público também como teu.
7. Lutarás pela recuperação da paisagem natural de tua cidade.
8. Respeitarás o ambiente público como público. Exigirás das autoridades públicas o cumprimento de seu deveres na fiscalização, manutenção e melhoria de sua cidade.
9. Circularás a pé pelo bairro onde moras e onde trabalhas. Frequentarás seus bares, as lojas, os restaurantes, cinemas, teatros, museus, galerias. Privilegiarás a rua como lugar de passeio e convívio.
10. Nunca desistirás de tua cidade.
Ao assumir os Dez Mandamentos de Sérgio Kon, assumo a responsabilidade de trabalhar para a cidade pensando exclusivamente no interesse público. Muitas vezes conflitante, o interesse público é o que favorece a maioria respeitando os direitos da minoria.
1. Defendo uma cidade mais humana. Mais solidária. Mais justa. Uma cidade para todos. Luto por mais justiça social.
2. Defendo a permanência da campanha “Dê mais que esmola, dê futuro” como estratégia de mudança comportamental e ativismo volutário contra o voluntarismo.
3. Defendo investimentos prioritários na melhoria das condições de habitabilidade: melhorar habitações precárias, reduzir habitações em áreas de risco, melhorar seu meio ambiente, preservar córregos, ampliar espaços de convivência e de lazer.
4. Defendo uma maior utilização das ferramentas culturais e esportivas para ampliar a solidariedade, a convivência e as oportunidades, e como o bom combate a violência e ao uso de drogas.
5. Defendo a desconcentração de serviços públicos governamentais e não governamentais, hoje muito concentrados nas regiões mais centrais da cidade.
6. Defendo a promoção, por meio de incentivos fiscais, do DELIS (Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável). Criação de incentivos para que as pessoas possam morar, estudar e trabalhar no mesmo território ou em territórios próximos.
7. Defendo políticas voltadas à saúde preventiva. Políticas que visem diminuir as demandas por serviços de saúde utilizando-se dos Agentes de Saúde e Agentes de Proteção Social
8. Defendo a ampliação do número de agentes APS-Agentes de Proteção Social e Agentes de Saúde da Família e de Saúde da Rua.
9. Sou intransigente diante da violência moral, física e sexual contra seres humanos, em especial contra crianças, adolescentes, mulheres, negros e GLBTTs.
10. Defendo a ampliação da rede de proteção a crianças e adolescentes no atendimento pós-escola e em creches
11. Defendo a ampliação da rede de educação para jovens e adultos – EJA e supletivos. É inadimissível que em uma cidade metrópole existam jovens e adultos analfabetos ou com déficit educacional.
12. Defendo estimular o micro-crédito, o cooperativismo, e o pequeno empresário com medidas de orientação profissional, qualificação, criação de micro e pequenas unidades de produção e simplificação tributária e burocrática.
13. Sou comprometido com programas dirigidos a acolher todas as crianças que se encontram nas ruas, sejam em trabalho infantil sejam abandonadas por seus familiares.
14. Vou estimular a ampliação da rede de proteção aos idosos, com a ampliação das residências de longa permanência e de núcleos de atendimento dia.
15. Vou estimular programas que fortaleçam famílias, vínculos familiares, e suas comunidades.
16. Vou estimular a ampliação da rede de albergues para além das fronteiras do centro envolvendo as áreas da assistência, trabalho, educação e saúde, especialmente a saúde mental.
17. Vou estimular a utilização de baixos de viadutos como espaços de convivência esportiva e cultural
18. Vou estimular o uso racional de bicicletas com a criação de ciclovias e bicicletários em pontos estratégicos da cidade.
19. Vou estimular a desconcentração de recursos orçamentários destinando-os prioritariamente às regiões periféricas e mais empobrecidas. Concentrar recursos, programas, esforços e políticas públicas, das diversas secretarias, nas regiões de IPVS 5 e 6* (extrema pobreza).
20. Vou estimular a descentralização administrativa e política ampliando a participação e o controle social junto as Subprefeituras.
21. Vou estimular a desburocratização e o uso intensivo de TI (Tecnologia da Informação) como ferramentas essenciais de combate à corrupção e estimulo à fiscalização ágil, eficiente e eficaz, do governo pela sociedade.
Concluí que a despeito de tudo que realizei à frente da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, do empenho em diminuir a pobreza e a exclusão social e melhorar o bem-estar da população, posso dar mais à minha cidade, especialmente na área do desenvolvimento humano e social. Mas não só. Com todo o conteúdo administrativo que adquiri ao longo de meus 13 anos como servidor público executivo sei que posso e vou contribuir, para melhorar os debates e o aperfeiçoamento das políticas públicas na cidade.
Acredito que a política está intimamente relacionada à capacidade de sonhar, bem como à de interpretar sonhos coletivos. Este é o primeiro passo para a prática. E eu sempre sonhei! Sonhos grandiosos, nos quais era possível enxergar tanto uma escola como uma cidade e um país mais justo, ético e saudável. Uma sociedade mais cidadã. No início eu não sabia como lidar com isso. Foram necessários anos de aprendizagem para começar a transformar meus sonhos em ações coletivas.
*Índice Paulista de Vulnerabilidade Social – IPVS – Fundação SEADE
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